Um “plágio” do Astro Boy feito pelo próprio criador do Astro Boy virou embalagem de pipoca no Brasil? Entenda nessa Curiosidade Pop Nipônica Aleatória!

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Você já deve ter visto por aí o Astro Boy, criação do Osamu Tezuka, tido como o principal desenhista que definiu os parâmetros do que se conhece como o “mangá moderno” — não à toa, apelidado de “Deus do Mangá” por isso.

Chamado no Japão de Tetsuwan Atom, o personagem surgiu como mangá em 1952, virando em 1963 um animê, sendo pioneiro no formato de seriado animado japonês do jeito que a gente vê até hoje (já existiam outras animações na TV nipônica antes, mas não no formato comercial de série de meia hora).

As histórias do garoto robô, criado para substituir o falecido filho de um cientista, mas que se torna um poderoso herói que protege os mais fracos, fizeram um enorme sucesso, rendendo 193 episódios no seu primeiro animê, que chegou ao fim em 1966, enquanto a concorrência criava diversas variantes.

imagem: montagem com duas ilustrações do Astro Boy, sendo uma do mangá e outra do animê

Astro Boy em mangá e animê. | Imagem: Reprodução/©TEZUKA PRODUCTIONS

 

10 anos depois do fim da série animada, Tezuka começou então a planejar uma continuação, atendendo a um pedido que teria partido de Koji Bessho, produtor do 1º animê pela Fuji TV. Ela traria um novo robô, o Mighty Mars (Tetsuwan Mars), que substituiria o Astro Boy após os eventos da série original.

Em 1977 o projeto foi consolidado pelo estúdio Toei Animation, focando em um público ainda mais infantil que o do Astro Boy. Tezuka participou apenas dos conceitos iniciais e no fim o projeto virou uma história independente e não uma continuação, mas com muitos elementos semelhantes ao do robô original, com o nome agora de Jetter Mars. Era praticamente o Astro Boy reciclado com outro nome, contando até com o mesmo diretor, Rintaro, e outros nomes da equipe do Astro original.

Os esboços iniciais de Mighty Mars (à esq.) e a versão final como Jetter Mars (à dir.). | Imagem: Reprodução/©TEZUKA PRODUCTIONS

 

Com apenas 27 episódios, essa série chegou a passar no Brasil a partir de 1983 pela Record, com o nome de O Menino Biônico, mesma época em que a emissora também passava os animês Candy Candy, Sawamu e O Judoca.

Não dá pra dizer que foi um “sucesso”, mas de alguma forma ela impactou alguém na indústria alimentícia. Acontece que, sabe-se lá por qual motivo, em 1989 a empresa Panda Indústria e Comércio de Doces registrou no INPI a marca Pipocas Panda, que trazia uma ilustração do Menino Biônico como rótulo da embalagem. Essa marca ficou em vigor oficialmente de 1991 a 2001, embora tenha gente que diga ter visto essa pipoca antes (nos anos 1980 mesmo) e até depois.

Ilustração oficial de ‘O Menino Biônico’ e ao lado a que foi usada pelas Pipocas Panda. | Imagem: Reprodução/©TEZUKA PRODUCTIONS/INPI

Registro das Pipocas Panda no INPI. | Imagem: Reprodução

 

Você aí é um antigo consumidor das Pipocas Panda do Astro Boy genérico? Queremos ler o seu relato aqui nos comentários!

 

Agradecimentos a Quiof do blog Quadripop pela informação do INPI.

 

Para mais…

A série Curiosidade Pop Nipônica Aleatória traz assuntos de diversas frentes de mídia, seja animê, mangá, game, música ou tokusatsu, em vídeos curtos nos Shorts do canal do YouTube do JBox, além do Instagram e TikTok. E a cada 10 deles, trazemos também um formato compilado no YouTube.

Até a próxima aleatoriedade!

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