‘Bucky’ e seu jogo de Game Boy perdido

‘Bucky’ e seu jogo de Game Boy perdido

Lembra de Bucky? E sabia que ele teve um grande projeto cancelado? Entenda nessa Curiosidade Pop Nipônica Aleatória!

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Se você foi uma criança no início dos anos 2000 que dependia da TV aberta pra se entreter, é possível que você tenha sido impactado por um programa chamado Band Kids — que como o nome diz, passava na Band.

Num cenário de escassez onde víamos a mesma coisa repetidas vezes, os poucos animês exibidos pelo programa se tornaram clássicos de sua geração, cenário onde se encontra o Bucky, que estreou por aqui junto ao programa em agosto do ano 2000. Chamado de Jibaku-kun, no original, Bucky (que é o nome adaptado do protagonista Baku) foi um animê feito pelo estúdio Trans Arts, estreando no Japão em outubro de 1999 (mesmo mês que começou a passar um tal de One Piece).

IMAGEM: Montagem com foto de Renata Sayuri como Kira e ilustrações de El Hazard, Tenchi Muyo e Bucky

Da esq. p/ dir.: Renata Sayuri como Kira, apresentadora do Band Kids/El Hazard/Tenchi Muyo/Bucky | Imagem: Reprodução

 

Mas a semente de tudo foi plantada em janeiro de 1998, quando estreia a reformulação de uma revista da editora Kadokawa chamada Famitsu Bros., uma nova versão de uma publicação de games voltada a crianças e adolescentes. A diferença pras anteriores é que o foco agora estava em também publicar vários mangás (e tinha até uma série fora da casinha baseado nos cards de Pokémon).

Capa da primeira Famitsu Bros. de 1998. | Foto: Reprodução

 

Entre os autores dessa revista estava Ami Shibata. Ela era relativamente conhecida já por uma obra chamada Nangoku Shounen Papuwa-kun, que rendeu um animê e também um jogo de Super Famicom (o equivalente ao Super Nintendo). E o que mais importava pra Famitsu Bros. possivelmente era essa relação dela com games, pois Shibata começou a carreira fazendo tirinhas de Dragon Quest para a Enix (trabalho que ela chegou a fazer novamente mais recentemente).

Em maio de 1998, Shibata lança na Famitsu Bros. seu novo mangá, Jibaku-kun, a história de um mundo com 12 lugares no esquema de um relógio, onde cada um é protegido por uma “Grande Criança” e seu espírito parceiro explosivo. Mais de 1 ano depois, ele virou uma série animada, aqui chamada de Bucky, produzida em meio ao turbilhão de séries de monstrinhos colecionáveis (já tínhamos no ar, além de Pokémon, séries como Digimon, Medabots e Monster Rancher). No começo, o estúdio respeitou bem o andamento da história, mas o mangá tinha capítulos mensais enquanto o animê era semanal, então a partir do episódio 15 a versão da TV seguiu seu próprio rumo.

Edição da Famitsu Bros. com Jibaku-kun em destaque. | Foto: Reprodução

 

Ainda que não tenhamos dados acessíveis, tudo leva a crer que Bucky não chamou atenção o suficiente do público japonês na TV, por isso não indo além de seus 26 episódios (o último foi ao ar em março de 2000). O mangá ainda continuou até dezembro de 2000, com seu próprio final e a Famitsu Bros. chegou ao fim em 2002, sem conseguir competir com outras grandes revistas de mangá do mesmo estilo.

Mas o grande projeto que ficou pra trás no meio disso tudo foi um jogo para o Game Boy Color, que era desconhecido até 2020, quando aconteceu o que ficou conhecido como Gigaleak, um vazamento gigante de dados de projetos da Nintendo.

Cenas do jogo cancelado de Jibaku-kun. | Imagem: Reprodução

A mídia num geral deu grande destaque a descobertas de segredos de nomes famosos como Mario, Zelda e Pokémon. Mas soterrado no meio de tantos dados também tínhamos um jogo de Jibaku-kun produzido pela Media Factory, subsidiária da Kadokawa que na época era distribuidora dos cards de Pokémon. Seu nome seria Jibaku-kun: Zero no Ki no Kajitsu World (algo como O Fruto da Árvore do Mundo Zero).

Nessa demo, podemos ver que o jogo seria uma mistura de RPG com o esquema de briga em tela rolando, o que se conhece como beat ‘em up. O herói principal é levemente inspirado no protagonista, mas você pode dar seu próprio nome a ele, e há várias alterações na história, embora no geral pareça mais fiel ao mangá.

Cenas do jogo cancelado de Jibaku-kun. | Imagem: Reprodução

A existência desse projeto mostra que ao menos havia alguma expectativa de que Bucky fosse algo maior, o que infelizmente acabou nunca acontecendo. Bom, no coração deste que escreve ele certamente é maior.

 

Para mais…

A série Curiosidade Pop Nipônica Aleatória traz assuntos de diversas frentes de mídia, seja animê, mangá, game, música ou tokusatsu, em vídeos curtos nos Shorts do canal do YouTube do JBox, além do Instagram e TikTok. E a cada 10 deles, trazemos também um formato compilado no YouTube.

Até a próxima aleatoriedade!

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