Um passeio por ‘Além da Fantasia’, a exposição de Yoshitaka Amano

Um passeio por ‘Além da Fantasia’, a exposição de Yoshitaka Amano

Após uma temporada no Centro Cultural Banco do Brasil em Belo Horizonte no início do ano, a mostra Yoshitaka Amano – Além da Fantasia desembarcou na capital carioca no último dia 22 de abril. Aproveitando a oportunidade, fomos até o CCBB do Rio de Janeiro para conferir como ficou a exposição do artista na Cidade Maravilhosa.

foto de Yoshitaka Amano

Yoshitaka Amano. | Foto: Reprodução

Mas antes de falarmos sobre a mostra, vamos relembrar rapidamente quem é Yoshitaka Amano e o que sua obra representa. Nascido em 1952, o artista nipônico começou sua carreira ainda na adolescência como assistente no estúdio de animação Tatsunoko. Por lá, trabalhou em títulos como Speed Racer, Time Bokan e A Abelhinha Hutch. Em 1982 passa a trabalhar como freelancer, ilustrando light novels como Vampire Hunter D. Logo depois, passa a atuar como designer de personagens da franquia Final Fantasy. Além disso, atua também como diretor de animação, roteirista e pintor.

 

Primeira sala

 

Na primeira sala temos as obras do filme Angel’s Egg e da franquia Final Fantasy, e nem precisamos dizer qual ganhou mais visibilidade. Angel’s Egg traz pinturas belíssimas usadas como referência para o filme de 1985, que teve sua história desenvolvida pelo próprio Amano junto ao diretor Mamoru Oshii. Infelizmente, a obra ficou restrita apenas a uma parede. Mas ainda assim é possível vermos artes que remontam fielmente à estética do que vemos em tela, mostrando que desde o início havia uma ideia do que seria a produção.

Já os RPGs da Square Enix dominam todo o resto da sala, com obras da celebração de 35 anos da série. Fãs poderão ver artes do primeiro até o 15º jogo, com algumas especiais. Entre os destaques está FF I, pintura feita em alumínio usando tintas automotivas. Não é a única na exposição, mas realça bem o estilo consagrado da franquia. Também estão por lá alguns logos de jogos, artes conceituais e mapas – alguns divididos em várias telas.

 

Segunda sala

 

Na segunda sala encontramos Candy Girl, uma série criada pelo próprio Amano, e Vampire Hunter D. A primeira mostra uma série de meninas inspiradas em figuras como Betty Boop e Hello Kitty em pinturas sobre alumínio. O artista aqui destoa de tudo feito anteriormente, abraçando ainda mais o surreal e a sensualidade, além de cores muito mais vivas.

Um contraste com o tom soturno de Vampire Hunter D, outra que sofre com falta de espaço. As obras são lindas e a escolha de ambientação, com a sala à meia-luz e um fundo preto dão um bom toque, mas que não impacta como poderia.

 

Terceira sala

 

A penúltima sala é dedicada à colaboração do artista com outras marcas. Uma coleção de cards de Magic: The Gathering com personagens de Final Fantasy está disponível para ser vista, bem como capas de Sandman e outros heróis da DC.

Enquanto as edições físicas são difíceis de apreciar devido ao reflexo do vidro de proteção e da própria capa metálica, temos acesso às pinturas em tamanho bem maior penduradas. Também podemos ver as artes para a histórica edição da Vogue que, pela primeira vez na história, não apresentou uma modelo na capa. E entre as demais, a que pessoalmente destaco é o pôster de A Forma da Água, que consegue superar o original da época que chegou aos cinemas.

 

Última sala

 

O espaço derradeiro conta com os trabalhos feitos na época da Tatsunoko e a sala imersiva. Entre os quadros vemos novamente pinturas em alumínio, dessa vez retratando os personagens de Gatchaman, que ficou conhecido no Brasil como GForce. E também Batalha dos Planetas. E Esquadrão Pássaro. E Eagle Riders

Enfim, voltando à exposição. Dessa época também há células de animação, como do animê Time Bokan e obras retratando algumas franquias da época que passou na Tatsunoko. Do lado temos a sala imersiva, que contém sequências luminosas e sonoras que podem afetar os visitantes com sensibilidade a luz e som. A sala mostra sequências de obras vistas nas outras salas de forma animada.

Por fim chegamos a Devaloka, que em sânscrito significa algo como “mundo dos deuses”. A obra mais autoral de Amano, onde ele pega inspiração na religião hindu e torna ele próprio em um criador de mundos. Uma cosmologia pessoal linda e que puxa muito da própria cultura japonesa. Quadros imensos que absorvem o espectador.

 

Há alguns problemas a se destacar da exposição. Ela fica localizada no segundo andar do edifício, onde é dividida em quatro salas. Para acessar a próxima, é preciso voltar para os corredores externos. Isso acaba quebrando a imersão da atividade. Outro adendo é a disposição das salas. Todas seguem uma numeração, que poderiam seguir um sentido único, com uma após a outra. Porém, a terceira sala se localiza após a quarta, o que torna necessário seguir em frente e só depois retornar para ver o final. Não se sabe o porquê de usarem esta disposição, sendo que há espaço para uma exposição – usada inclusive na mostra em homenagem a Mauricio de Sousa – que garante uma maior imersão e conecta todas as alas juntas.

Para encerrar, vale ressaltar que a exposição ainda não estava completa na nossa visita no dia 24. Duas obras prometidas, tanto na divulgação, quanto no próprio site, não estavam disponíveis e devem ser colocadas à mostra “em breve”. As duas são objetos táteis: uma caixa que não teve sua descrição divulgada e uma escultura de metal pelo artista brasileiro Paulo Bordhin, que busca inspiração nas obras de Amano. Segundo pesquisas, não vimos referência de nenhuma das obras na exposição anterior em Belo Horizonte, então se algum leitor mineiro tiver passado por lá, nos conte nos comentários se houve em algum momento.

Reclamações de lado, Além da Fantasia é uma carta de amor ao trabalho de Yoshitaka Amano. A exposição tem o cuidado de tentar abraçar toda a carreira do artista, passando pelos principais pontos. Para quem estiver pelo Rio de Janeiro, com certeza vale a visita para apreciar seu portfólio multifacetado.

 

INFORMAÇÕES:

Onde: Centro Cultural Banco do Brasil — Rua Primeiro de Março, 66 — Centro — Rio de Janeiro/RJ;
Quando: 22 de abril a 22 de junho (quarta a segunda, 09h às 20h);
Quanto custa: Gratuita, porém sujeita a lotação



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