Crítica | Witch Hat Atelier | 1ª temporada

Crítica | Witch Hat Atelier | 1ª temporada

Começar a acompanhar uma nova história é sempre um momento mágico (com o perdão do trocadilho). Você inicia uma jornada, começa a entender como as regras funcionam naquele mundo e quais são os personagens principais. E quando falamos de universos mágicos, essa construção é ainda mais importante para criar uma realidade crível dentro da proposta e cheia de imersão. A primeira temporada de Witch Hat Atelier, inspirada no mangá de Kamome Shirahama, faz exatamente isso e, apesar de uma decisão questionável no final, acerta a mão com personagens carismáticos e uma jornada que vale a pena ser acompanhada.

A trama começa mostrando Coco, uma garota fofa que mora com a mãe e vive uma vida tranquila. Coco é encantada por magia, mas em seu mundo, apenas aqueles que nasceram com um dom específico podem ser bruxos — e esse não é o caso dela. Tudo muda, no entanto, quando o mago Qifrey visita a vila de Coco e ela descobre que a sociedade mágica esconde um grande segredo.

E é exatamente a paixão de Coco pelo universo da magia que cria uma história inicialmente encantadora. Conforme vai descobrindo novos feitiços e habilidades, Coco é responsável por conduzir o público, trazendo sempre os pontos positivos de ser uma aprendiz de bruxa. Pensando por esse lado, Witch Hat Atelier poderia se contentar em ser “apenas” uma história fofinha, mas Shirahama acerta ao criar uma narrativa que claramente tem algo nas entrelinhas, sem nenhuma pressa em fazer essa revelação.

 

Qifrey, Segurança Mágica e alguns sustos

Imagem de Witch Hat Atelier

Você confiaria neste bruxo com cara de maluco? | Crunchyroll/Divulgação

 

Embora seja, na maior parte do tempo, uma história otimista, Witch Hat Atelier pontua pouco a pouco que existem ainda mais segredos e coisas obscuras dentro dos ensinamentos da magia. Ainda nos primeiros episódios, por exemplo, Coco descobre sobre as “magias proibidas” e percebe como todos ficam em pânico quando o assunto é tratado.

O próprio professor Qifrey também reflete esse sentimento. Embora seja carismático e divertido com suas aprendizes, incluindo Agott, Tetia e Richie, o mentor sempre parece estar escondendo alguma coisa e, por isso, vez ou outra deixa escapar algum olhar mais incisivo ou frase menos fofa. São detalhes, mas acréscimos muito bem-vindos, que se combinam bem com a fofura e geram um contraste instigante de acompanhar.

Curiosamente, e até seguindo o ritmo do mangá, a primeira temporada não tem pressa em revelar exatamente o que há de errado. Muito é falado sobre o clã dos bruxos do Chapéu com Aba, mas não há uma confirmação de quem eles realmente são; o Conselho de Segurança Mágica é implacável, inclusive ao lidar com crianças, mas ainda assim não há uma revelação direta do que eles tanto temem. Afinal, o que pode acontecer de tão grave neste mundo?

A temporada termina sem explicar, mas fica claro que Qifrey tem algum segredo relacionado a isso, seja ele qual for. Afinal, sempre que os Chapéus com Aba são mencionados, o olhar do professor é uma mistura de medo com um pouco de fascínio.

Os Chapéus com Aba botam medo, mas o Conselho de Segurança Mágica não fica atrás | Crunchyroll/Divulgação

Visual mágico e final abrupto

Falar de Witch Hat Atelier é também falar sobre um dos visuais mais incríveis entre os animês lançados nos últimos anos. O estúdio responsável pela produção é o BUG Films, conhecido especialmente por Zom 100 (ou 100 Coisas para Fazer Antes de Virar um Zumbi). A empresa já havia mostrado parte de seu potencial no animê de 2023, mas elevou a qualidade gráfica a outro patamar com o lançamento deste ano.

Desde carruagens e feitiços proibidos, até dragões e cenas de voo de tirar o fôlego, tudo no visual de Witch Hat Atelier brilha aos olhos, o que contribui para a imersão e construção de mundo trazidas pela narrativa. Juntos, esses dois pontos criaram episódios celebrados pelo público, e que com certeza vão marcar presença em premiações futuras.

E toda essa jornada que une encantamento, um visual impactante e uma pitada de suspense se amarra no último capítulo da primeira temporada. Intitulado de “A Magia que foi Proibida”, o episódio espelha o primeiro ano como um todo, começando com um momento fofo, mas partindo rapidamente para momentos de tensão envolvendo praticamente todos os personagens principais.

O visual do animê era muito aguardado e não decepcionou os fãs | Crunchyroll/Divulgação

 

Há, é claro, um elefante na sala do qual precisamos falar: a escolha de encerrar a temporada no meio de uma cena. Seguindo uma tendência de outros animês, como Dan Dan Dan e Demon Slayer, Witch Hat Atelier escolheu criar um ganho para a segunda temporada cortando a ação de uma cena no meio.

Não é um gancho narrativo tradicional, em que um arco é encerrado e fica um aceno do que o espectador pode esperar para o futuro. O corte em questão interrompe o movimento de um personagem, criando uma sensação de falso desfecho e tirando a força de um capítulo muito bem construído até então.

Witch Hat Atelier fez bastante sucesso em sua primeira temporada, então novos episódios devem ser confirmados em breve. A questão não é ter ou não sequência, mas como a experiência de quem assiste é tratada em um momento de clímax, quase como se fosse uma “traição” para que os fãs voltem para saber o que aconteceu. E a história é tão boa que nem precisa disso.

Porém, mesmo que essa escolha tenha deixado um gosto amargo, não há dúvidas de que Witch Hat Atelier entregou uma primeira temporada sólida, com uma boa construção de mundo, apresentação de personagens interessantes e uma narrativa bem amarrada, que promete recompensar aqueles que continuarem a jornada ao lado de Coco e Qifrey. Resta esperar que a adaptação do mangá deixe os “truques” de lado e confie que tem uma ótima história para contar.


O texto presente é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox. 


Siga e acompanhe as notícias do JBox também pelo Google News e em nosso grupo no Telegram.



from JBox https://ift.tt/NatCyrY
via CineLive365

Post a Comment

Copyright © CineLive365 | Distributed by Blogger Templates | Designed by OddThemes