Dubladores de ‘Daemons of the Shadow Realm’ contam sua experiência com a série | JBox Entrevista

Dubladores de ‘Daemons of the Shadow Realm’ contam sua experiência com a série | JBox Entrevista

Quando algum mangaká famoso retorna para um novo projeto, este lançamento sempre chega cheio de expectativa pelos fãs. E não é diferente com Daemons of the Shadow Realm (Yomi no Tsugai), nova obra de Hiromu Arakawa, autora de nada menos do que Fullmetal Alchemist e Silver Spoon.

Com uma história cheia de mistérios e um visual que remete diretamente aos irmãos Elric, a trama é focada nos poderes de dois irmãos gêmeos, que nascem “separados pelo dia e pela noite”. Após uma boa recepção do mangá, indicado a prêmios como o Manga Taisho Awards e o Kodansha Manga Awards em 2024, uma adaptação em animê foi lançada este ano, com produção do estúdio Bones (Fullmetal Alchemist, Gachiakuta).

A convite da assessoria de imprensa da Crunchyroll, tivemos a oportunidade de falar com parte do elenco de dublagem em português do animê, incluindo Pedro Crispim (voz de Yuru), Natália Alves (voz de Asa), Filipe Albuquerque (voz de Direita) e Jennifer Gouveia (voz de Esquerda), que comentaram sobre os bastidores do projeto e até um pouco sobre a polêmica redublagem dos primeiros episódios.

O papo aconteceu de forma virtual no dia 17 de junho, com a colaboradora Cakes Sousa representando o JBox. Confira abaixo a versão em vídeo e também o conteúdo transcrito logo em seguida:

JBox: Demons of the Shadow Realm é um animê que trouxe junto a expectativa de ser adaptação da nova história da autora de Fullmetal Alchemist, Hiromu Arakawa. Houve alguma expectativa ou pressão a mais para vocês por conta desse detalhe? Ou isso ainda trouxe uma motivação a mais quando vocês entraram no projeto?

Natália (Asa): A nossa vida é sempre uma surpresa. Entram em contato com a gente, marcam um horário, e a gente não sabe, não faz a menor ideia do que vai fazer. Quando eu fui gravar, eram 30 minutinhos só, eu pensei: “Poxa, deve ser alguma dobrinha, alguma pontinha e tal”, que são papéis mais pequenininhos. E quando eu cheguei lá e o João (Victor Granja) me explicou o que era esse anime, que era um anime muito hypado, e que eu era tipo a protagonista, eu fiquei chocada, fiquei: “Meu Deus! E agora?”. Então pra mim foi uma surpresa muito grande e muito boa também, pegar essa responsabilidade tão grande de trazer a versão brasileira desse anime tão aguardado.

Jennifer (Esquerda): Pra mim também foi uma surpresa, né? Eu fui convocada, eu achei: “Ai, que legal, né?”. E aí o João, o nosso diretor, ele expôs assim o projeto e aí eu fiquei muito animada, exatamente pela construção das personagens femininas pela autora. Personagens fortes, que não são masculinizadas apesar de trazer esse poder, essa força. E aí eu trago bem isso na personagem, o grave, e ainda tendo ali a sensualidade de uma maneira muito feminina. Foi chocante, mas ao mesmo tempo a gente sabendo do processo ali, sabendo como era o projeto, eu fiquei muito animada.

Pedro (Yuru): Foi na hora gravando que eu sabia que eu era o protagonista do anime também. Fiquei muito feliz, mas aí me contaram também da expectativa que se tem em cima dele, aí eu falei: “Caraca, eu preciso me concentrar ao máximo pra fazer isso aqui”. E enfim, todo episódio que eu gravo, eu gravo sempre muito concentrado, sempre lembrando da responsabilidade imensa que é gravar um anime como esse, porque a expectativa em cima dele é muito… muito alta, né? E tem se mostrado realmente muito, muito bom.

Filipe (Direita): Eu lembro que a primeira coisa que perguntei pro João assim que eu entrei no estúdio foi: “Vai ter temporada nova de Fullmetal?”. Aí ele: “Não, não, esse é outro, é outro anime”. Falei: “Caramba, é muito parecido, cara, tem a mesma estética, né, tem a mesma roupagem”. Eu achei lindo, animação fluída pra caramba, que já é uma coisa que me apaixona pra caramba. E quando eu vi o personagem, falei: “Pô, eu sei exatamente o que que você quer, João”. Que é aquela coisa, existem certos estereótipos dentro da dublagem, que a gente acaba reencarnando em vários papéis diferentes. Por trabalhos anteriores que eu já fiz, quando eu vi o Direita eu já falei: “Ah, tá bom, é o clássico brucutu, só que é o brucutu gentil, o brucutu bacana, que tem um bom coração e tal”. Tem, obviamente, esse peso da responsabilidade porque é uma obra que já chegou a um grande número de pessoas. E por ser dessa autora, também tem esse grande peso, essa grande responsabilidade pra gente. Mas, cara, tá sendo super divertido. Ao mesmo tempo que é uma responsabilidade gigantesca, dá esse friozinho na barriga, tá sendo muito divertido fazer. Eu sempre me divirto pra caramba dentro do estúdio.

 

Aproveitando esse gancho, uma pergunta pra você, Filipe, e pra Jennifer. Sabemos que os tsugai Esquerda e Direita são bem diferentes dos humanos. Eles possuem emoções, são seres com séculos de existência e de repente estão ali livres, descobrindo o mundo junto com o Yuru. O que isso trouxe de desafio pra dublagem de vocês, de pegar personagens que não são humanos necessariamente? Eles têm uma percepção de mundo muito diferente, né?

J: É isso, apesar dela ter séculos, ela não é dura, ela não é rígida, né? Não tem aquela cabeça, que a gente pensa assim: “Ah, as pessoas mais velhas, mais antigas têm aquela cabeça mais quadrada”. Não, ela é bem aberta e ela é curiosa, né? Quando ela tá ali em cima do carro, ela acha aquilo interessante. É quase místico, mágico pra ela. Apesar dela ser um um ser místico, né? É fácil de lidar porque, apesar dela ser ali mais centrada, ela trazer mais esse centro até pro da Direita, ela é interessada, ela é plástica, complacente. Ela consegue lidar com essas novidades e tá apta a mudanças.

F: Para mim, no caso, acho que as duas maiores dificuldades são a questão de que não é o meu tom normal de voz, eu tenho que dar uma potência, no arranhado da voz; o primeiro ponto. E o segundo é justamente essa coisa que vocês falaram com relação ao personagem ter séculos de existência. Então ele não pode falar como as pessoas no mundo atual, né? Tem que sempre ter esse cuidado, esse esmero. Porque acho que o maior problema geralmente quando você vai contar uma piada, vai falar uma coisa engraçada, você tem que pensar: “Poxa, como alguém de 400 anos falaria essa piada aqui?”, entendeu? Eu acho que a gente tem conseguido chegar num resultado bem legal, mas ainda é um desafio. Todo episódio, eu e o João, que dirige, ficamos naquela: “Pô, como é que isso aqui… Como é que ele falaria isso aqui?”. Eu acho que a maior dificuldade pra nós geralmente vem disso também. Como deixar os personagens, que não estão num contexto de época, parecer que eles ainda estão num contexto de época. E ainda encarnar as personalidades dos dois.

 

Agora para o Pedro e para a Natália. Aos poucos os episódios vão construindo uma relação entre os irmãos Yuru e Asa. E é uma relação que não é lá muito orgânica, né? A Asa faz um esforço pra essa relação acontecer… Vocês dois conversaram nos bastidores pra fazer essa construção dessa relação também dentro da dublagem?

N: Olha, da parte do Pedro, parece que não existe nada, né? Não é recíproco.

P: (risos) Vai, minha irmã, fala.

N: Eu acho muito engraçado porque assim, pra Asa, ela tá muito por dentro do que aconteceu. O Yuru não, ele não sabe de nada, ele vivia num mundo, numa vila. O que existia pra ele era aquela irmãzinha, a falsa Asa. Quando eu chego lá toda durona e matando todo mundo, eu acho que pra ele é um choque muito grande, ainda não caiu a ficha de que aquela ali é a irmã dele. Pra mim, sempre foi o meu irmão, e eu acho que o momento que ela encontra com ele e o vê é incrível. Ela já ama muito ele, mas é uma relação que tá sendo construída. Eu acho muito engraçada uma cena que ela fala: “Olha, olha isso aqui, olha pra cá”, aí ela vai lá e tira uma foto deles, ela fala: “Ai, eu consegui uma foto do meu irmão!”. E ele fica: “Meu Deus, o que que é isso? Como assim?”. É muito legal essa relação deles dois.

P: Eu tô igual o Yuru, quando a gente se encontrou a primeira vez que a gente gravou. Eu não vejo todas as cenas quando tô gravando, né? Eu não sei as cenas da Asa sozinha, nem de Direita e Esquerda, então quando eu tô gravando a minha parte, eu tô junto com o Yuru ali naquela sem saber de muita coisa. Então, realmente, a ficha do Yuru não caiu, e a minha também não. Até hoje eu fiquei desconfiando um pouco da Asa. Então, quando eu fui falar com a Nati, ela falou assim: “Não, mas ela ama o irmão. E ela é maravilhosa”. Eu fiquei assim: “É… eu acho que ela é uma assassina, porque o Yuru também acha ela uma assassina”. Então eu falei “Natália, ela não é tão boazinha não”. Mas parece que não, parece que ela, de fato, gosta do irmão. Eu ainda não tô muito convencido, tá, vamos ver.

F: Ela tem todos os estereótipos de uma vilã.

P: Exato! Quando morreu a falsa Asa, que ela entrou lá naquele lugar depois do massacre, ela entra… Eu falei: “Nossa, a minha irmã é tipo Ruth e Raquel [da novela Mulheres de Areia]. Ela é a Ruth, que era a ruim, né?”

J: Ela é “Ruquel”. (risos)

P: Exatamente! Pra mim ela era só a gêmea má, né. Eu não sabia que ela era a gêmea boa.

 

 

Falando desse “grande plot twist”. Daemons of the Shadow Realm tem uma virada logo no comecinho ali dos primeiros episódios e também já no primeiro volume do mangá. A gente espera que todo mundo que esteja assistindo já tenha visto, mas sem detalhar muito, qual foi a reação de vocês quando viram essa virada? Como foi pra vocês quando, ali no processo de descobrir a história e dublar, descobriram essa grande virada?

P: Pelo que eu me lembro, ele começa ali caçando e tudo mais, tentando entender aquele mundo em que ele vive, até a parte em que chegam helicópteros, tentando atacar a vila. Eu sei que quando aparece já o primeiro avião, que ele acha que é um dragão, e tem o “peido do dragão” que é a fumaça do avião… Passavam vários aviões lá em cima, e ele também continuava achando que era isso, né. Pra mim, foi um susto. Eu tava gravando as cenas, a cena super tranquila… Às vezes eu fico pensando assim: “Ah, tomara que o personagem de hoje seja tranquilo de fazer”. E ele tá lá: “Oi, tudo bem? Boa tarde, ah, vou te ajudar aí”. Daqui a pouco começa um… todo mundo morrendo, sangue pra tudo quanto é lado. Eu achei o máximo, depois eu fiquei assustado, mas achei o máximo porque eu adoro uma ação. E a ação é de verdade, né? Logo no primeiro episódio, pra quem assistir vai achar…

F: É, o gore já é jogado na tua cara.

P: Exatamente.

F: Você vê uma garotinha estraçalhando um monte de gente no meio de uma cidade feudal…

P: Já mostra a que veio logo no primeiro episódio.

F: A minha primeira impressão quando eu olhei pro Direita, eu achei que ele era uma espécie de vilão. Eu não achei que ele ia cuidar do Yuru. Não parecia. Tem cara de vilão mesmo. Falei: “Esses caras aí vão dar uma dor de cabeça pra esse menino”. Daí quando eu vi: “Pô, não, tão protegendo. Tá tudo muito legal, tá tudo muito bacana”. Aí essa virada de quando eles saem da vila pro nosso mundo, é bacana você ver eles aprendendo, perguntando o que que é o carro, como é que o carro funciona. E aí eles falam o lance dos cavalos. “Tem tantos cavalos aqui dentro desse negócio aqui”. “Ah, tá. Entendi”. E a descoberta também de: “Olha, não, mas tem milhões de pessoas nessa cidade, tem milhões de pessoas aqui, só nesse prédio tem milhões de pessoas”. “Cara, como assim?”. E aí eles vão descobrindo e a gente vai entendendo a alegria deles em descobrir. É bem legal, e no último episódio que eu dublei [nota: a entrevista foi feita em junho], eles tão passando pelo trem, pelos navios. E cada coisa que eles ficam descobrindo, é uma alegria. É como nascer de novo. É sempre muito bacana.

N: Falando sobre o primeiro episódio ainda,quando eles aparecem e matam todo mundo, a gente realmente pensa: “Caramba, eles são os vilões”. Não tem essa, matar todo mundo daquele jeito, não, inaceitável. Então, para quem tá assistindo, eu, quando assisti, fiquei assim: “Meu Deus! E agora? O que que vai ser?”. E depois mostra o outro lado deles, da intenção, de que era uma vila que… eles estavam presos, que aquela velhinha prendia o Yuru. E a história se construindo, a gente fica curioso pra saber “E aí? E agora?”. E principalmente a relação da Asa com o Yuru. A gente ainda não sabe muito bem o que eles são, juntos, e aí fica naquela ansiedade de tipo: “Caramba, o que que eles são? Por que que querem tanto eles?”, sabe? Então assim, é um anime que te puxa, é um anime que vai puxando você pra assistir mais e descobrir mais. É legal que ele vai colocando aos pouquinhos, né? Não é tudo de uma vez. Tá sendo um processo muito interessante, eu quero muito saber o que que vai acontecer. Eu quero terminar logo essa temporada pra vir a segunda, pra ver o que mais que vai rolar. E essa questão do mundo antigo e o mundo moderno também é muito divertida.

J: Eu achei interessante que inicialmente a gente pensa que vai ser uma aventura do Yuru pra salvar a irmã e do nada… pá! Acaba o mundo medieval, não era aquilo, era tudo mentira. O vilão talvez não é vilão. E aí instiga o telespectador a: “Espera aí, opa, essa história não é isso aqui que eu pensava”. Ela abre um leque de possibilidades, que a gente gravando, tá assim: “Meu Deus! Peraí! Meu Deus!”. Chega um novo episódio, a gente: “Meu Deus, espera aí!”. Porque tá vindo muita coisa nova e deixou realmente um leque de muitas possibilidades, que até a gente gravando e vendo um pouco antes do telespectador, ficamos assim: “Ah! Eu não esperava isso”. Então tá sendo muito interessante essa construção que a autora tá fazendo. Tá bem legal.

 

imagem: cena de Yuru em Daemons of the Shadow Realm

Falando um pouco sobre o Yuru, ele é um personagem muito particular justamente por essa virada que a gente tá falando na história, e porque ele é os olhos do público. Tanto descobrindo o mundo quanto descobrindo esses mistérios da família dele. Tem muita coisa que o Yuru é nossos olhos ali. Como é dublar o personagem que conduz a história pra quem tá assistindo?

P: Isso é muito bom, porque eu acabo tendo os mesmos sentimentos que ele, sabe? Eu me identifiquei com ele muito de cara, porque eu fico meio que com pena, até, do Yuru. Falo: “Coitado, o cara tá todo perdido. Ele não sabe o que fazer”. Porque aquela mentira toda em torno dele, viu todo mundo morrer, e agora tem que lidar com uma irmã nova, que na verdade é a irmã verdadeira, mas a outra ele viu ser massacrada na frente dele. Então, todas as descobertas dele, eu me divirto também muito fazendo, por conta dessa diferença brusca que acontece dos mundos. Ele experimentando a nova culinária, ele entendendo como funciona a medicina… Tem uma cena que precisa tirar sangue, alguém vai tirar sangue e ele fala: “Não, mas como assim?”. Dublar o Yuru é bem legal, porque, ao contrário do que muita gente pensa, eu não sei o que tá acontecendo lá na frente na série. Eu vou episódio por episódio. E uma vez por semana eu vou gravando ali e eu vou descobrindo junto com ele o que vai acontecer. Por isso, por exemplo, a Natália já vê o Yuru como o irmãozinho. E eu fico assim: “Não, mas espera aí. Acabou de matar a outra lá, já quer o meu lugar?”.

F: E é interessante abordar que o mangá tá saindo junto, né? Então a gente não tem nada pronto.

P: É, nem se eu quiser procurar no Google um spoiler, eu não acho. E isso é muito legal. Eu gostei dele logo de cara, eu adoro ele.

 

Qual é a cena preferida que vocês mais gostaram de dublar até agora? Porque obviamente a gente tá com a temporada em andamento, inclusive temos dois cours seguidos. Mas até agora, qual aquele momento que vocês falam “Esse daqui foi meu momento”?

N: Gente, eu sou fascinada por coisas de superpoderes, super-heróis e ação. Então, não tem como, pra mim a cena mais legal e mais divertida é a cena que ela explode e fala “Que nojo”. Aí eu falei: “Nossa, não acredito, superpoder”. Então pra mim foi muito divertido e muito marcante.

F: É a cena que o Direita tá com a Asa, naquele universo todo escuro, daquele tsugai que é o Ying Yang. E aí ela tá cheia de medo, e ele tá tentando acalmar ela. Só que ao mesmo tempo, parece que ele tá tentando acalmar intimidando ela, né, porque ele põe a mão na cabeça dela e fala: “Você sacou que eu sou seu nêmesis, né?”. Pô, aquilo ali eu achei tão legal cara! Porque eles vão criando relação não só com o Yuru, mas também com ela. E a personagem da Natália é a minha personagem preferida desse anime. Sem querer puxar saco, mas é mesmo. Porque ela reúne duas coisas que eu acho muito legal, que é o tapa-olho, que eu gosto d qualquer personagem que tem tapa-olho. E ela é uma mistura de Nick Fury com Jean Grey, né? Se você parar para pensar.

J: A cena que eu mais gostei de fazer, que eu achei mais engraçada, eu me diverti mais gravando, que eu achei interessante, foi a do carro. Ela em cima do carro, pra mim foi a cena mais engraçada. Eles na dúvida: “Peraí, como é que isso aqui funciona?”. Porque pra gente é tão comum, o carro há tantos anos, a gente já nasceu com os carros aí. E pra eles aquilo ali ser interessante, instigante. E aí soa engraçado a maneira como eles se questionam, até transformando aquilo ali numa coisa mais mágica, mais mística. Aquela cena pra mim foi a melhor, a mais engraçada. Que mostra que eles são meio inocentes também, né? Isso é legal também. Porque aquilo é muito diferente. Eles tão ali com a magia, com uma super força, o super poder. Mas um carro, que é uma máquina, pra eles é tipo: “Oh, meu Deus”. Isso é muito interessante.

P: Eu adorei fazer a cena dele no banheiro, porque ele cria todo um ritual pra poder usar o novo banheiro. E vai dar descarga, e aí: “Calma aí, você seca com a mão? Não, primeiro tem que lavar a mão, aí agora eu seco a mão”, aí tem aquele secador, né? “Lembrar sempre de apagar a luz”. Eu adorei aquela cena do ritual que ele precisou criar. Até porque o banheiro, vamos combinar, né? O banheiro na antiguidade não devia ser nada agradável. E aí ele cria toda aquela parafernália do banheiro atual, um rito pra saber fazer tudo direitinho, pra não deixar… e, principalmente, não deixar a luz apagada, né? É daí que vem o apagar as luzes, né? Ele o da Direita criam um ataque assim, né: “O que a gente faz antes de sair do banheiro?” “Apagar as luzes!” “Nem a tampa do vaso, né?” “Isso, e a tampa do vaso, é claro. Porque senão a gente toma bronca.”

 

Pedro, aproveitando, a gente sabe que a dublagem de Daemons of the Shadow Realm passou por uma mudança de estúdio* e você participou das duas versões. Como que foi voltar pro papel do Yuru depois de já ter feito as vozes pela primeira vez? Você pegou alguma coisa diferente, foi uma experiência diferente você voltar pro personagem?

P: Quando você regrava, você acaba prestando atenção em detalhes que talvez na primeira vez você não prestou tanto. E o João Victor Granja, o diretor, me ajudou bastante também em algumas percepções que eu não tive antes. E ter feito essa segunda versão foi maravilhoso pra mim, porque eu realmente consegui entender melhor aquele contexto e consegui, eu acho, imprimir melhor a personalidade do Yuru, o que o personagem queria.

[*Nota: O animê estreou com uma dublagem feita pelo estúdio Universal Cinergia, que durou até o 3º episódio. Em seguida, a Crunchyroll substituiu esses episódios por uma redublagem feita pelo estúdio Dublavídeo, que seguiu com o restante do trabalho. Não há nenhuma justificativa oficial para a troca (que também ocorreu com outras duas séries da mesma temporada: Go For It, Nakamura-kun!! e Agents of the Four Seasons: Dance of Spring). Na troca, apenas os personagens Yuru e Hanna permaneceram com as mesmas escalações.]

 

Vocês gostariam de ter os seus próprios Tsugai, ou de serem Tsugais? E quais poderes gostariam de ter, além da super força?

N: Sobre meus poderes, eu não tenho muito o que falar. Eu acho que a Asa é muito completa e que ela ainda tá descobrindo os poderes dela. Eu já sou muito realizada com o que ela é. Com a figura que ela é, com os poderes que ela tem e o que vem por aí, eu acho que vai impressionar muita gente. Eu não sei, tá? Eu tô supondo que vai impressionar muita gente, porque é isso, eles dois, o Yuru e a Asa, unidos… vamos ver o que pode acontecer. Eu acho que é algo muito grandioso, então eu já tô realizada com a minha personagem.

P: Acho que teletransporte seria ótimo. Mas a questão de você ter o Tsugai, eu não sei, porque Esquerda e Direita tão com o Yuru sempre. Eu não sei se eu ia querer, principalmente, o da Direita o tempo inteiro na minha cola, sabe? Eu acho que eu ia querer ter um pouco mais de privacidade. Falar assim: “Não, não, fica lá um pouquinho… Quando eu precisar, eu te chamo”.

F: Aquele tsugai que você tira da cartola, né?

P: É, exatamente. Do nada eles aparecem, né? Porque a da Esquerda, ela é um pouco mais centrada, né? O da Direita é completamente mais fora da caixinha.

J: Eu ia preferir ter também um Tsugai, não ia querer ser não, porque é muito trabalho. Porque, se for pensar na Esquerda, né, ela estimula muito que o Yuru tome as decisões dele, que ele não seja manipulado pelos outros, que ele sobreviva. E pra ele assumir esse papel também de mestre dos Tsugais. Então eu acho que ela é como se fosse uma mentora, uma incentivadora, sempre ali, né, ajudando a crescer, a se desenvolver. Entãoeu preferia ter, com certeza. E se fosse pra ter um poder, até diferente do Pedro, mas mais ou menos parecido, seria a super velocidade, ia ser ótimo.

P: É bom também.

J: Ia sair, ninguém ia me ver, ia ser incrível a super velocidade.

F: Eu também preferia ter, que o meu Tsugai tivesse poder de vulnerabilidade e voar. Porque é a melhor coisa, principalmente morando no Rio de Janeiro, né? Você evitava o trânsito, ninguém te atrapalhava. Tá no horário perto do outro, né? Nossa, maravilha!

JBox: Todo mundo quer o poder do deslocamento rápido, seja com velocidade, com teletransporte…

P: Nossa, se eu pudesse, ia ser ótimo! 


Reportagem: Cakes Sousa | Edição e coordenação geral: Rafael Jiback | Edição de vídeo: João Miguel | Produção de elenco: Fernando de Amicis, Sony/Crunchyroll

Agradecemos ao Pedro, ao Filipe, à Jennifer, à Natália e à Crunchyroll pela disposição e oportunidade. Lembramos que o animê pode ser assistido na Crunchyroll, com opções dublada e legendada.


Sobre Daemons of the Shadow Realm

A história de Daemons of the Shadow Realm começa focada no jovem Yuru, que mora em uma vila bucólica com ares medievais, e busca cuidar da irmã mais nova, Asa, após o desaparecimento dos pais. Porém, a realidade do rapaz muda de forma brusca e violenta, e ele precisa fugir para descobrir todos os mistérios envolvendo sua família.

Masahiro Andô (Fullmetal Alchemist) assina a direção do animê, com composição de série de Noboru Takagi (Golden Kamui) e design de personagens de Nobuhiro Arai (Naruto Shippuden). A estreia do animê aconteceu em 4 de abril, dentro da Temporada de Primavera de 2026. A produção segue em transmissão, agora do segundo cour, aos sábados, na Crunchyroll.

O mangá é publicado desde dezembro de 2021, na Monthly Shonen Gangan, de propriedade da Square Enix. Até o momento, 13 volumes já foram lançados e a trama ainda não foi encerrada. No Brasil, a publicação é da JBCconfira o que achamos do primeiro volume.


Siga e acompanhe as notícias do JBox também pelo Google News e em nosso grupo no Telegram.



from Anime – JBox https://ift.tt/c1NEvgB
via CineLive365

Post a Comment

Copyright © CineLive365 | Distributed by Blogger Templates | Designed by OddThemes