
Amanhecemos hoje com a triste notÃcia do falecimento de Hikaru Kurosaki, intérprete de um dos personagens do Japão mais reconhecidos no Brasil, O Fantástico Jaspion. Notada pelo público apenas nesta quinta-feira (2), a informação foi divulgada no último dia 29 de junho, através de um colega do ex-ator, Masaki Sekiguchi, que trabalhava na mesma escola de mergulho.
Segue a nota de Sekiguchi publicada no Facebook, em tradução livre:
Informamos, com pesar, o falecimento do Sr. Kurosaki, da empresa Mother Earth, membro da Associação de Mergulho de Motobu.
Como o Sr. Kurosaki morava sozinho, estamos entrando em contato para comunicar o ocorrido às empresas e demais pessoas relacionadas.
O Sr. Kurosaki viveu em Motobu por mais de 30 anos. Na época em que chegou, havia apenas cerca de seis operadoras de mergulho na região, e ele fez parte do grupo que compartilhou tanto as dificuldades quanto as conquistas daqueles primeiros anos.
Mesmo sem precisarmos dizer isso em palavras, tÃnhamos uma relação em que a simples existência de um apoiava o outro. Por isso, sua partida é profundamente lamentável.
Que descanse em paz.
Não se sabe até o momento a causa da morte de Kurosaki, que tinha apenas 64 anos de idade.

Hikaru Kusoaki como Shota Yamamori em ‘Bioman’ (1984)
Nascido em Osaka, Seiki Kurosaki (nome de batismo) admirava o artista marcial Sonny Chiba, o que levou à sua carreira como dublê de ação da Japan Action Club (atual Japan Action Enterprise), a mais famosa escola de treinamento do ramo. Sua estreia nas telas foi no ano de 1978, quando participou na série Spider-Man (versão tokusatsu do Homem-Aranha). Depois, em séries Super Sentai, Kurosaki foi dublê de alguns monstros de Battle Fever J (1979) e Denziman (1980).
Mais ou menos no mesmo perÃodo, o rosto de Kurosaki começou a aparecer em variadas produções de ação, incluindo a série de época Kage no Gundam (Shadow Warriors, 1980-1985) e na adaptação cinematográfica do mangá Igano Kabamaru (1983), considerada por alguns a sua “estreia definitiva” como ator. Seu estilo cômico atrelado à ação o fez ser comparado a uma espécie de “Jackie Chan japonês”. Não por acaso, ele ainda dividia os trabalhos de ator, na TV, cinema e teatro, com os de cantor na década de 1980.
Em 1984, Kurosaki participou dos episódios 35 e 36 de Chodenshi Bioman (antecessora de Changeman) como Shota Yamamori, um jovem que queria se tornar um sexto herói da equipe Super Sentai. Foi ali que conheceu sua futura esposa Yoko Asuka, a vilã Farrah na série (ela faleceu em 15 de dezembro de 2011).
Foi no ano seguinte que Kurosaki foi convidado a viver seu personagem mais icônico, seguindo a linha da produtora Toei em levar dublês de ação para protagonizar as suas séries. Querendo inovar no segmento dos chamados “Metal Hero”, Jaspion nasceu em 1985 sucedendo a trilogia de policiais do espaço (Gavan, Sharivan e Shaider). Apesar da experiência como dublê, não foi ele quem vestiu os trajes do herói por ser do tamanho diferente do seu porte fÃsico. As cenas de ação do personagem transformado ficaram a cargo dos dublês Takanori Shibahara, Kazuyoshi Yamada e Noriaki Kaneda.
Noriaki Kanesa (à esq.) e Hikaru Kurosaki (à dir.) nos bastidores de Jaspion | Foto: Reprodução
Kurosaki deixou a carreira de ator na virada dos anos 1980 para os 1990. Os motivos nunca ficaram muito claros, mas parecia haver certa decepção com o meio e à aparente negligência com os colegas de profissão (um de seus amigos, Masato Akata, dublê de Maskman, havia se ferido gravemente numa filmagem, por falta de segurança). Após isso, chegou a trabalhar como vendedor de motocicletas por um ano e logo depois abriu com sua esposa uma pequena lanchonete localizada no parque de Ueno.
Seiki Kurosaki (Ã dir.), em entrevista dada em 2017 sobre o trabalho na Mother Earth.
Estabeleceu-se no fim dos anos 1990 como como instrutor de mergulho da Mother Earth, em Okinawa, por onde trabalhou até seus últimos dias de vida.
Deixamos aqui nossos sentimentos aos familiares e amigos de Kurosaki, assim como a seus milhares de fãs especialmente no Brasil, paÃs que teve em Jaspion um dos maiores representantes do que é um herói do Japão. Seu trabalho segue vivo enquanto as gerações que viveram intensamente suas aventuras nas telas seguirem rememorando.
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