Circulação impressa da ‘Shonen Jump’ fica abaixo de 1 milhão de cópias pela primeira vez em décadas

Circulação impressa da ‘Shonen Jump’ fica abaixo de 1 milhão de cópias pela primeira vez em décadas

Segundo relatório recente da Associação das Editoras de Revistas do Japão, a circulação da versão impressa da Shonen Jump, revista semanal de mangás da editora Shueisha, ficou abaixo de 1 milhão de exemplares por edição entre os meses de abril e junho de 2026.

Na média, a circulação durante o período foi de 985 mil cópias por edição – vale pontuar que a medição de circulação diz respeito a quantos exemplares são impressos e enviados pela editora (a lojistas, assinantes etc), e não quantas cópias chegam ao consumidor final.

A Shonen Jump tem apresentado nos últimos anos queda gradual na circulação da versão impressa, acompanhando a tendência do mercado. Após o maior pico já registrado, em 1994, de mais de 6,5 milhões de cópias por edição, a revista começou a perder público. Nos últimos dez anos, a circulação impressa também caiu em função de versões digitais e de plataformas como a Shonen Jump+.

A revista está no mercado desde 1968 e, dado o período, é difícil encontrar números de circulação desde o seu surgimento, mas já em 1984, atingia mais de 2 milhões de exemplares por edição, subindo vertiginosamente até alcançar os 6,5 milhões de 1994, caindo já para 5,5 milhões em 1995 (ainda são números altos considerando a crise econômica que o país passava na época). Em 2017, a revista ficou pela primeira vez abaixo dos 2 milhões de cópias por edição.

Também houve uma mudança no público: em 2009, foi divulgado que a esmagadora maioria dos leitores estava abaixo dos 14 anos (62,9%). Já em 2019, a maior fatia de leitores (27,4%) tinha a partir de 25 anos, seguido do público abaixo de 14, que chegava a 26%.

A Shueisha tem investido em expansão internacional com iniciativas como a MANGA Plus, que traz séries do selo Jump traduzidas em diversos idiomas, e, mais recentemente, o MANGA MILLION, uma plataforma que traz um milhão de páginas de mangás traduzidas em mais de cem idiomas (essa última ficará disponível, a priori, apenas até dezembro de 2027).

imagem: página inicial do Manga Million

Página de entrada do Manga Million. | Imagem: Reprodução

 

Apesar do mercado digital ter crescido nos últimos anos, pode ser início de uma tendência mais acentuada de queda geral no mercado de mangás no Japão. Em 2025, o setor apresentou queda geral de 1,7% após crescimento contínuo desde 2017 – a venda de volumes físicos caiu em 14,4% e de revistas de mangás, em 12,7%.

O setor digital ainda apresentou algum crescimento em 2025, de 2,9%, e hoje representa 76,1% das vendas totais; mas esse crescimento não foi capaz de compensar a queda dos impressos, como ocorreu nos anos anteriores. Vale pontuar que entre 2019 e 2020, houve um salto na movimentação da indústria, que cresceu de 441 bilhões de ienes para 613 bilhões, puxado inicialmente pela pandemia, mas com fidelização de parte dos leitores. Em 2024, o valor chegou a 704 bilhões de ienes, caindo agora para 693 bilhões.

Parte da redução também se dá em função de mudanças em lojas de conveniência (konbini), que vêm dedicando cada vez menos espaço para livros e revistas. Por causa da comodidade, muitos consumidores compram mangás de forma mais casual nessas lojas, e não em livrarias ou lojas especializadas. Outro fator apontado como relevante é a falta de novos títulos puxadores de vendas – como eram os casos de Jujutsu Kaisen, Oshi no Ko e My Hero Academia, finalizados em 2024.

Apesar da queda, o número de novos volumes no mercado aumentou em 6,5%, o maior aumento anual desde 2008.


Fonte: Oricon, Animenomics


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