Crítica | Chainsaw Man: O Filme – Arco Da Reze

Crítica | Chainsaw Man: O Filme – Arco Da Reze

A sensação de se apaixonar pela primeira vez é incrível. Você começa a entender o porquê de tanta gente fazer música romântica, a vida ganha novas cores, é como se um novo nível em seu status de humanidade fosse desbloqueado. Só que é possível que esse primeiro amor não seja correspondido, aí as coisas rumam para um lado mais melancólico — que é bastante útil para o nosso crescimento. Mas sabe o que é muito melhor do que tudo isso aí? Quando enfim encontramos um amor que é correspondido.

Aí é loucura. É aquela sensação do melhor solo de guitarra no melhor baladão rock das coletâneas Love Metal dos anos 2000. É abrir aquela coquinha estourando de gelada num domingo de 40°, colocar ela no copo e aí, quando ela está se aproximando dos lábios, virem aquelas bolhinhas saltitantes do gás antes. É a Lily, do NMIXX, gritando “don’t forgeeeeeeet” numa nota estendida na ponte de “Roller Coaster”. É o Junior Santos metendo gol no Galo nos trinta segundos finais e levando a Libertadores pro Botafogo.

É por isso que o Denji, protagonista de Chainsaw Manpassa aqui no filme Arco da Reze. Em uma cena tão bonita quanto sensível e quanto erótica, Denji caminha pela rua num dia ensolarado. No entanto, do nada, começa um temporal, e o garoto se abriga numa cabine telefônica. Momentos depois, uma jovem chamada Reze também entra naquele espaço pequeno. Os dois, ensopados, iniciam uma conversa, trocam olharem, sorrisos. Com o fim da chuva repentina, a menina sai da cabine e diz para ele que, quando ele quiser, pode encontrá-la num café ali perto onde ela trabalha. O sol enfim sai de trás das nuvens e ilumina Denji. Algo diferente acende dentro dele. Ele se interessou, mas mais do que isso: ela também.

Não teria como ele não se interessar. Reze é irresistível. É hipnotizante. É charmosa, engraçada, jovial, com uma personalidade radiante, um olhar magnético. Dá respostas espontâneas, leves, parece te abraçar com o sorriso. Ao mesmo tempo em que é misteriosa, provocante, sexy. Tem algo nela que atrai todos ao redor. Reze encapsula nela aquele sentimento de um amor jovem, de algo desconhecido que você, quando adolescente, quer experimentar pela primeira vez. Encostar, acariciar, colocar os lábios.

Há todo um segmento com o Denji aproveitando o caminho até esse amor ser correspondido. Eles se encontrando seguidas vezes no café, ela o explicando sobre estar estudando e eles conversando sobre ele não viver uma vida que um moleque da idade dele no Japão deveria viver, pois ele não vai para a escola. Esse é o gancho para que ela o leve para conhecer seu colégio, de noite, escondidos. Eles passeiam pelas dependências, brincam na sala de aula, nadam nus em uma cena onírica na piscina, se aproximam ainda mais enquanto um temporal cai do lado de fora, como se estivessem em um videoclipe da Madonna nos anos 1990. As coisas então desembocam neles indo a um matsuri, para enfim, do modo mais romântico e clichê possível, se beijarem conforme fogos de artifício estouram no céu.

Seria a fantasia molhada adolescente perfeita. Mas isso é Chainsaw Man. E por ser Chainsaw Man, é claro que nada seria tão simples. Calha, então, de Denji ser caçado pela Bomba, uma demônia de classe alta a serviço do Demônio da Arma, perigosíssima, e também irresistivelmente sensual, que quer o coração do Homem-Motosserra. O resultado é uma sequência enorme de lutas explosivas (tu-dum-ts!), sangrentas, tão bem dirigidas que não conseguimos tirar os olhos, mesmo quando o mais delicioso gore é explicitado em tela. Nesses momentos, Arco da Reze ganha ares de viagem de ácido, com a animação indo para lados insanos em suas texturas e técnicas. É grotesco e lindo.

Imagem: Reprodução/Sony Pictures

Chainsaw Man é um biscoito diferente dentro do pacote de “animês fenômenos culturais” da atualidade. O mangá de Tatsuki Fujimoto publicado na Weekly Shonen Jump já era enorme nesse nosso meio otaku antes mesmo de sua adaptação de 2022 pelo estúdio Mappa. Contudo, foi a série ir ao ar que essa escala extrapolou a bolha. Não à toa: há um tempero a mais nisso aqui. Poderia ser só mais uma história “ao estilo Naruto“, com um protagonista divertido que enfrenta criaturas místicas ao lado dos amigos, mas rola uma camada de escrotidão nesse universo, na trama, nos personagens, que tira tudo do lugar comum.

É um mundo onde demônios caminham pela Terra ao lado de humanos. Quando Denji é quase morto por zumbis da máfia, que vieram para cobrar uma dívida que o menino herdou, uma criaturinha fofa chamada Pochita, um demônio pet semelhante a uma motosserra que Denji cuidava, decide fazer um pacto com ele: ela se torna seu coração. E toda vez que Denji puxa a cordinha do motor que brota de seu peito, ele se transforma no Homem-Motosserra. Isso faz com que ele seja cooptado por uma organização governamental, que, basicamente, o escraviza para que ele sirva como arma para liquidar outros demônios pela cidade. Daí em diante, grandes aventuras contra vilões de poderes criativos e por aí vai.

Os 12 episódios do animê para TV já ostentavam um luxo em técnica, tornando cada capítulo um evento por si só. O grande acerto do diretor Tatsuya Yoshihara é ampliar ainda mais essa escala, fazendo desse arco nas telonas um acontecimento, de fato, cinematográfico, de combates empolgantes, exagerados, coloridos, e momentos mais introspectivos onde o som é usado para nos vender o medo daquele horror, o nojo do grotesco, e o frio na barriga do sensual.

Imagem: Reprodução/Sony Pictures

Em dado momento da rodagem, o Denji grita que todo mundo quer o coração do Homem-Motosserra, questionando se alguém quer o coração do Denji, e esse é o momento que encapsula Arco da Reze num todo. Porque a história de Chainsaw Man é de um moleque que não teve a chance de ser um moleque de verdade, de viver sua vida como um adolescente normal, pois herdou os erros dos pais como uma maldição e teve sua história, dali em diante, guiada a partir do que de pior aconteceu a ele.

Quando, enfim, esse moleque teve a oportunidade de aproveitar sua juventude, novamente, isso foi tirado dele. Por isso aquele final, por isso a cena exibida após o término dos créditos. É um filme de um jovem querendo a sua juventude. Com demônios, batalhas em escalas enormes, explosões e cenas de puro horror junto. Como não gostar?

Quero ver de novo! Jiback, me manda pro cinema de novo! Não tinha pôster aqui. Eu quero pôster. E quero chifrinhos da Power. Me arrumem chifrinhos da Power!


Chainsaw Man: O Filme — Arco Da Reze estreou no dia 23 de outubro e está em cartaz em cinemas de todo o país.


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