Crítica | Super Mario Galaxy: O Filme

Crítica | Super Mario Galaxy: O Filme

Em 1993, a Nintendo lançava uma de suas adaptações cinematográficas mais traumáticas: o live-action Super Mario Bros., filme tão criticado pela imprensa e público que fez a gigante dos games ficar afastada das telonas durante anos.

Muito provavelmente, a empresa japonesa só voltou a confiar em Hollywood depois dos bons números de Sonic: O Filme (2020). Assim, ela se uniu à Illumination Entertainment e três décadas após sua primeira tentativa de adaptar Mario para os cinemas, lançou a animação Super Mario Bros: O Filme (2023).

Como hoje em dia tudo que faz sucesso ganha sequência, não demorou para que a continuação chegasse: trata-se de Super Mario Galaxy: O Filme, uma adaptação do jogo homônimo de 2007. Na realidade, adaptação é uma palavra forte aqui: essa é uma obra livremente inspirada, que usa os principais elementos do game de Wii (como as lumas, as diversas galáxias e a Princesa Rosalina) para criar uma história totalmente nova, que amalgama referências a outros jogos do encanador bigodudo e da própria Nintendo.

imagem: cena de Super Mario Galaxy, com Peach e Mario olhando impressionados pro alto

Imagem: Reprodução/Illumination

Tudo isso em imagens lindamente animadas e de tirar o fôlego. A quase todo momento temos sequências dos personagens correndo para lá e para cá em cenas que lembram alguma “fase” de um jogo de Mario. O resultado deixa o espectador extasiado com o visual deslumbrante de estrelas, florestas e castelos de primor técnico, uma característica comum dos grandes estúdios de animação atuais.

Além disso, há aquele tom de comédia leve e infantil que combina bem com essa história. O timing cômico é eficiente, sendo controlado principalmente pelo trio de coadjuvantes cativantes composto por Luigi, Toad e Yoshi. O vilão Bowser também rouba a cena com momentos divertidos, principalmente quando o longa resolve explorar a relação do antagonista com Bowser Jr. (que se mostra muito mais malvado e perverso que seu pai, e acredite, isso é bom).

Imagem: Reprodução/Illumination

Entretanto, nem tudo são moedas douradas na aventura intergaláctica, e para entender onde Super Mario Galaxy derrapa, é preciso dar uma olhada na própria história da Illumination.

O estúdio de animação ganhou fama em 2010 com o primeiro Meu Malvado Favorito e parecia estar pronto para rivalizar com outras produtoras de peso como Disney, Pixar e DreamWorks. Do ponto de vista comercial, isso realmente aconteceu e a Illumination tem alcançado bons números nas bilheterias, mas criativamente, vem sendo muito criticada.

Isso porque, em de apostar em ideias novas, o estúdio parece ter decidido seguir no que era “seguro” e explorar ao máximo as franquias que tem em casa com sequências sem parar. Para se ter ideia, dos 16 filmes lançados pela Illumination até o momento, 7 são continuações ou spin-offs de Meu Malvado Favorito.

Com o tempo, seus filmes se tornaram sinônimo de narrativas formulaicas, pouco ousadas, e mesmo que relances de criatividade surjam com longas como Sing (2016) e Patos (2023), os artistas (ou seriam os executivos?) da Illumination nunca demonstraram qualquer vontade de criar histórias realmente surpreendentes.

Imagem: Reprodução/Illumination

No fim, isso se reflete em Super Mario Galaxy: O Filme. A história vai de um lado ao outro sem nunca se aprofundar nas motivações de seus personagens e usando desculpas pouco eficientes para movimentar sua história.

É por isso que (leve spoiler) quando Peach chega à plataforma central da galáxia, ela logo encontra um local escondido habitado por diversos vilões (como eles conseguiram se estabelecer ali sem que ninguém soubesse?) que, convenientemente, possuem informações essenciais para que a heroína prossiga em sua missão de resgate.

O roteiro raso acaba prejudicando seu protagonista, Mario, que parece agir mais para impressionar Peach, pela qual ele diz estar apaixonado, do que por qualquer outro motivo convincente. Essa atração romântica, aliás, é uma surpresa, já que no primeiro filme o encanador não mostra qualquer interesse na princesa, e a única insinuação de romance entre os dois são as falas ciumentas de Bowser.

Para os fãs dos games, um relacionamento entre Mario e Peach faz completo sentido, mas nesse universo cinematográfico, isso nunca havia sido de fato desenvolvido e ambos pareciam mais amigos do que um casal em Super Mario Bros: O Filme. As coisas não mudam muito aqui, pois o filme dá pouquíssimas cenas de interação entre os dois, mas provavelmente os roteiristas vão continuar batendo nessa tecla em um terceiro longa.

Imagem: Reprodução/Illumination

Peach, por outro lado, assume o centro emocional da história e age de forma bastante verossímil para o que a história propõe. De fato, seu arco é o mais eficiente de todo o longa e se o nome Super Mario não fosse tão vendável, o filme poderia facilmente tê-la como protagonista e se chamar Super Peach Galaxy sem alterar pontos vitais da história.

Essas falhas de roteiro podem não incomodar alguns espectadores e às crianças que só querem se divertir com luzes coloridas e dinossauros fofos, mas há uma parcela de fãs que, mesmo se divertindo, adoraria ver um personagem tão carismático como Super Mario em uma narrativa mais bem lapidada.

Em conclusão, Super Mario Galaxy: O Filme traz aquela sensação de finalizar uma fase agradável, mas um tanto quanto enrolada e sem alcançar aquela estrela dourada escondida capaz de coroar um fechamento com perfeição.


Essa crítica foi feita de forma totalmente independente, em uma exibição comum de cinema, sem envolvimento de cabine de imprensa. Super Mario Galaxy: O Filme estreou em cartaz nos cinemas brasileiros em 1º de abril.


O texto presente nesta resenha é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.



from Anime – JBox https://ift.tt/VX4x9a7
via CineLive365

Post a Comment

Copyright © CineLive365 | Distributed by Blogger Templates | Designed by OddThemes