Crítica | Stitch! | Universo das Letras

Crítica | Stitch! | Universo das Letras

A Disney é uma das empresas que mais explora suas propriedades intelectuais e, se há uma PI de alto sucesso dentro da empresa, ela é o filme Lilo & Stitch!. Lançado em 2002, o longa ganhou continuações, uma série animada e em 2008 duas adaptações nipônicas: uma em animê e outra em mangá, ambas com o título de Stitch! e focadas apenas no alienígena orelhudo.

Não é preciso ter crianças em casa para saber que esse bichinho azul está em alta: mesmo os adultos não deixam de usar camisetas e comprar pelúcias do personagem. Muito provavelmente por isso a editora Universo dos Livros (sob o selo Universo Geek) resolveu relançar o mangá Stitch! no mercado nacional (ele já havia dado as caras por aqui em 2015 pela Abril).

São duas edições focadas nas aventuras do alienígena mais fofo da Disney e que… bem, não seguem uma história propriamente linear e bem estruturada como se espera da maioria dos mangás.

imagem: páginas do mangá Stitch

Foto: Rafael Brito/JBox

 

A trama começa de forma similar ao animê exibido no Disney Channel: Stitch acaba caindo na ilha de Izayoi, no Japão, onde faz rapidamente amizade com Yuna, uma menina agitada que mora na região. Juntam-se a eles Jumba, o “gênio do mal” criador do experimento 626, e Pleakley, o alien autoproclamado especialista em assuntos da terra.

Nesse início, o mangá parece repetir a fórmula do animê, com Stitch encontrando uma pedra mágica que lhe concederá um desejo caso ele cumpra 43 boas ações. Entretanto, logo o enredo das boas ações é deixado de lado para se focar apenas em episódios cômicos do alien no arquipélago japonês.

De fato, o que o mangá apresenta são uma série de narrativas curtas e fechadas em si próprias que exploram a fofura do personagem em tramas surreais. É como ler um quadrinho da Turma da Mônica: cada historinha é focada em uma questão específica que coloca seus personagens em uma confusão que logo é solucionada. Entretanto, aqui não há nem mesmo tensão ou perigo, uma vez que Stitch facilmente resolve problemas da maneira mais bizarra e cômica possível.

Foto: Rafael Brito/JBox

 

Assim, a sensação de aventura e descoberta do animê é deixada de lado e o mangá foca apenas na comédia e na diversão que deseja proporcionar ao leitor. Nesse processo, alguns personagens sofrem mudanças significativas em suas personalidades.

O principal caso aqui é Yuna, que nesta obra é muito mais atrapalhada e indefesa do que sua versão televisiva. Jumba e Pleakley, por outro lado, são reduzidos aos elementos mais fundamentais de suas personalidades, com um deles apenas repetindo que é um “gênio do mal” sem nunca demonstrar qualquer genialidade, enquanto o outro é apenas um excêntrico.

O protagonista, Stitch, por sua vez, parece assumir a sua faceta mais primordial possível. Se no filme de 2002 e suas sequências é notável uma evolução na sua relação com o mundo terráqueo e as pessoas à sua volta, aqui ele volta a ser um bicho bobo e impaciente que não sabe se comportar em sociedade. Isso abre brecha para que as historinhas mostrem Stitch tomando ações inconsequentes apenas pela possibilidade de confusão, sem nunca punir o personagem por suas ações erradas e levar aos leitores uma lição construtiva, algo que poderia ser ideal para uma obra focada no público infantil.

Foto: Rafael Brito/JBox

 

Entretanto, mesmo com grande foco na comédia, é difícil realmente esboçar um sorriso com Stitch!. São histórias tão rasas e com um timing cômico tão mal elaborado que, mesmo curtas, se tornam maçantes para um leitor adulto. O traço fofo da ilustradora Yumi Tsukirino combina com a proposta do mangá, mas é um dos poucos pontos positivos.

Para os fãs do longa de 2002, há uma passagem no primeiro volume com histórias de Lilo e Stitch no Havaí que possuem certo charme e fofura. Já o segundo volume traz de volta Angel, a alienígena cor de rosa conhecida como a “namorada do Stitch”, mas sem nunca explorá-la de forma eficiente (e não espere encontrar nenhum dos outros experimentos ‘primos’ do protagonista no restante da obra).

Stitch! pode ser um ótimo mangá para apresentar a crianças que estão tendo um primeiro contato com essa mídia ou um presente aos grandes fãs do alien orelhudo. Entretanto, quem busca uma comédia realmente eficiente e uma história progressiva e envolvente, deve procurar outras opções de leitura. Há muitas obras melhores nas bancas e livrarias, inclusive inspiradas em personagens da Disney.


Galeria de fotos

Confira nos álbuns abaixo alguns registros da edição nacional de Stitch! pela Universo Geek:

 

Volume 1

Volume 2

 

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Essa resenha foi feita com base na edição cedida como material de divulgação para a imprensa pela editora Pipoca & Nanquim, que disponibilizou a obra completa ao JBox.


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