
Dia desses, estava fazendo desenvolvimento de ombro com uma barra fixa na frente do espelho na academia enquanto ouvia “Lemonade”, do aespa, e dizia para a minha imagem refletida: “isso mesmo, NingNing, eu vou fazer uma limonada, aaaarrrrgh”, quando reparo que um jovem se aproximava de mim dizendo “Que isso, chefe, o shape tá vindo com força!”. Me sentindo o Anderson Daronco daquele recinto, tiro meus fones de ouvido para agradecer ao rapaz, tão educado e respeitoso com os mais velhos, no que ele coloca no rosto uma expressão de confusão, corrigindo: “Não, não! Eu disse ‘Agora que o Ney foi convocado, certeza de que o hexa tá vindo na Copa!'”.
Tal sequência de palavras me deixou tonto. Ou talvez tenha sido o peso extra que coloquei na barra, não sei. Mas entendi de onde vinha tal ingenuidade por parte daquele menino ao olhar na estampa de sua camisa uma imagem do Tanjiro, protagonista de Demon Slayer: ele é otaku! Primeiramente, controlei meu instinto natural de gritar e sair correndo. Em seguida, as conexões mentais ocorrendo dentro de minha cabeça fizeram com que eu questionasse e problematizasse o quanto, durante tanto tempo, os universos “nerd” e “futebolístico” são afastados, mesmo existindo tantos pontos de convergência entre eles. Talvez essas conexões tenham demorado muito, já que reparei que o jovem otaku já tinha saído dali e cochichava algo para um dos professores do salão da academia enquanto apontava para mim, mas isso é irrelevante.
Relevante é a Copa do Mundo estar já aí às portas! O evento esse ano acontece no México, no Canadá e em um país menos civilizado aí, com o primeiro jogo já rolando na próxima quinta-feira, entre México e África do Sul. As ruas aqui do Rio de Janeiro já estão decoradas, todas as marcas no mercado já estão com produtos especiais em homenagem à seleção brasileira, eu estava fazendo feira aqui de manhã e do nada a tia da barraca do tomate colocou “Waka Waka”, da Shakira, pra tocar.
Mas e você aí, otaku, nesse momento, está assustado porque entende bem menos de futebol do que deveria para conseguir manter uma conversa saudável com seus amigos pelos próximos dias até o Brasil inevitavelmente ser eliminado e todos fingirem que o campeonato acabou? Está pensando que deveria assistir mais ao Cafezinho do Escobar do que aos reels com Curiosidades Pop Nipônicas Aleatórias do Sr. JBox? Que deveria passar mais tempo no chat da CazéTV do que discutindo qual o big three da atualidade? Que deveria assinar o plano mais caro da Disney+ para ter acesso aos canais da ESPN em vez de gastar com a Crunchyroll?
Pois os seus problemas acabaram! Futebol, na real, é um negócio bem fácil de ficar por dentro. E que, como eu disse, tem bem mais coisas em comum com o mundo dos animês e mangás do que você pode imaginar. Então, abaixo, preparei um manual que cobre os pontos mais importantes do que você deve saber para entrar na resenha sem que pareça um “turista de futebol” tal como você fica acusando o amiguinho da barbearia de ser “otaku turista” quando ele diz que o desenho predileto dele é o Nanatsu no Taizai que ele assistiu na Netflix. Sim, Bruno, isso foi uma indireta pra você! Tantos anos cortando meu cabelo e até hoje não assistiu às minhas recomendações…
Japão: Já encontraram o jogador egoísta que buscam em Blue Lock?
Blue Lock talvez seja o mangá/animê atual que mais tenha a ver com o tema. Na trama, após o Japão ser eliminado nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2018, a novata Anri Teieri convence executivos da União Japonesa de Futebol a colocarem em prática um plano para, enfim, o país vencer uma Copa. Para isso, eles contratam o técnico Jinpachi Ego, que defende que a principal carência do Japão no futebol é um atacante que seja egoísta. Então, ele junta 300 jovens atacantes das bases sub-18 em todo país numa espécie de treinamento “battle royale”, no qual só um será o artilheiro da seleção.
Historicamente, é possível dizer que o futebol seja conhecido pelo jogo coletivo, o oposto da filosofia de Blue Lock. Contanto, a geração atual tem talentos individuais que estão chamando atenção isoladamente, como o atacante Ayase Ueda, artilheiro do time holandês Feyenoord, o meia Takefusa Kudo, do clube espanhol Real Sociedad, e o ponta-esquerda Daizen Maeda, do escocês Celtic. Em parte pelas atuações individuais deles, os “Samurais Azuis” têm vivido seu melhor momento: foram a primeira seleção a se classificar para essa Copa (além das três dos países sede), entrando com três rodadas de antecedência em março do ano passado. Se não passarem das oitavas agora, talvez precisem mesmo de um Blue Lock da vida real.
Espanha: Lamine Yamal, Mob Psycho 100 e o arco do protagonista jovem apelão…
A Espanha é a grande favorita a levar a taça em 2026. O motivo é uma geração de jogadores mais novos que fizeram campanhas excelentes nas duas últimas Olimpíadas (foi prata em 2020 e ouro em 2024) e que levou a Eurocopa de 2024. São vários os grandes jogadores nesse elenco, como o Marc Cucurella (Chelsea), o Rodri (Manchester City), o Dani Olmo (Barcelona), o Nico Williams (Athletic Bilbao) e o Mikel Oyarzabal (Real Sociedad). Mas é a figura do Lamine Yamal (Barcelona) que todos querem ver.
Em termos de shounen de lutinha: o Yamal é aquele protagonista jovem que desponta como o mais poderoso em todos. O moleque tem só 18 anos e já foi considerado o segundo melhor jogador do mundo no ano passado (naquele prêmio europeu, Bola de Ouro, tem quem ache importantíssimo). Pense nele como o Mob, de Mob Psycho 100: é o menor que consegue colocar todo mundo ali no chinelo, fazendo isso sem parecer se esforçar nem um pouco.
Argentina: O Messi é tipo o Gojo em Jujutsu Kaisen!
A outra seleção favorita, que levou a taça no ano passado. Rivalidades territoriais de lado, o time da Argentina é muito bom. O Dibu Martínez (Aston Villa) é daqueles goleiros que conseguem irritar qualquer jogador de linha do time adversário que chega perto da grande área, o Enzo Fernández (Chelsea), o Mac Allister (Liverpool), o Almada (Atlético de Madrid), o Alvarez (também do Atlético de Madrid) e vários outros dão muito trabalho em campo. E tem o Lionel Messi, que é inimigo da aposentadoria.
Pense no Messi como o Satoru Gojo de Jujutsu Kaisen. Infelizmente, ele é o veterano que altera o equilíbrio do universo só de entrar em campo. A Argentina inteira joga ao redor como se a partida fosse na Expansão de Domínio dele. É a última dança de um ser supremo antes de passar o bastão. Dá até medo de assistir. Será que ainda dá tempo dele sofrer uma lesão?
França: Uma guilda de nível S em “Solo Leveling”, o Mbappé é o que mais farma aura?
Fechando a trinca de favoritos em sua bet local, temos a França, que também tem um daqueles elencos onde até o banco de reservas intimida o resto do mundo. O grupo conta com Dembélé (PSG), os irmãos Lucas e Theo Hernández (PSG e Al-Hilal), o Saliba (Arsenal), Tchouaméni (Real Madrid), dentre outros. Além de serem muito bons com a bola, eles têm uma certa frieza em campo que domina a coisa toda. Só pensar na final da Copa de 2022 contra a Argentina (talvez uma das melhores partidas de futebol de todos os tempos), com eles brigando até o final para levar o resultado pros pênaltis.
A maior estrela, com certeza, é o capitão Kylian Mbappé, do Real Madrid. É o cara que mais farma aura, com o maior ranking de poder e coisas do tipo. Imagine a seleção da França como uma guilda de nível S de Solo Leveling. Quando um portal de Rank S abre e todo o resto de caçadores fica assustado, vêm os jogadores da França com um olhar de superioridade que se justifica quando a gente vê eles em ação. E o Mbappé, embora nesse momento não esteja em seu auge físico, ainda é o protagonista, o Jin-woo: ele foi evoluindo de anos atrás até se tornar um ser intocável que decide guerras sozinho. Ganhou a Copa de 2018 com 19 anos e meteu um hat-trick numa final de Copa em 2022, quase rapando o caneco novamente. E assim como o Jin-woo, um monte de gente reclama dele tanto na seleção, quanto nos times que ele passa. Mas o cara é bom, fazer o quê?
Cabo Verde, Curaçau, Jordânia e Uzbequistão: Estreantes que chegam num isekai!
A Copa do Mundo de 2026 conta com 16 novas vagas, expandindo o torneio de 32 para 48 seleções participantes. Nessa, tiveram algumas estreias de seleções. Cabo Verde (nossos primos), Curaçau, Jordânia e Uzbequistão estão vivendo pela primeira vez o sonho de participar da competição. Nenhuma dessas deve ter muita chance de ganhar, ou mesmo de passar da fase de grupos, mas é sempre bom ver estreantes naquele modo “Davi x Golias” que eventos assim costumam retratar.
A participação dessas quatro seleções soa mais ou menos como um animê isekai, onde os protagonistas chegam em um mundo totalmente novo e diferente e precisam lidar com ameaças que nunca enfrentaram antes. Não como em That Time I Got Reincarnated as a Slime, Re:Zero ou So I am a Spider, So What?, onde eles efetivamente têm algum poder para isso. Mais como em KonoSuba, onde o protagonista reencarna com habilidades bem limitadas e meio que só vive a vida nas fases iniciais enquanto dá. Eu mesmo adoro KonoSuba!
Itália: um “vem aí quando?” maior que o de Cardcaptor Sakura: Clear Card!
Agora, enquanto seleções menores têm a chance de participar pela primeira vez, a Itália, que tem bastante tradição em Copas do Mundo (já ganhou quatro vezes!), simplesmente não consegue mais se classificar. A última participação da Azzurra foi em 2014, aqui no Brasil, onde foram eliminados ainda na fase de grupos. Nada deles na de 2018 da Rússia, nada deles na de 2022 no Catar, e vão ficar em casa comendo pizza agora em 2026, pois conseguiram ser eliminados na repescagem perdendo contra a Bósnia-Herzegovina. O patético do Trump até tentou fazer eles ocuparem a vaga do Irã (que os Estados Unidos estão em guerra), mas a própria seleção italiana disse que isso seria ofensivo (à seleção italiana, no caso).
Imagino que a grande comunidade de brasileiros com sobrenome italiano, que falam com sotaque, embora nunca tenha aprendido o idioma ou sequer tenham ido ao país, tenha ficado bem triste com isso. Se quiser tirar uma com a cara de algum amigo seu que se enquadre nisso, compare a seleção italiana ao animê de Cardcaptor Sakura: Clear Card, que desde 2023 teve a sua segunda temporada anunciada pelo estúdio Madhouse, mas até agora nada de sair. As aventuras da Sakura há muito tempo entregaram muito, mas nunca mais conseguiram acontecer de verdade. Madonna mia!
Portugal: Dragon Ball Z na Saga Boo? O CR7 ainda aguenta a transformação em Super Sayajin 3?
A seleção de Portugal atual também é forte e vem pra cima após ter levado o título da UEFA Nations League em cima da Espanha. Dizem que o elenco é bem azeitado, traz nomes grandes do futebol mundial e novos talentos que parecem estar a ponto de estourarem. Particularmente, sou fã do jogo do Vitinha (PSG), do Pedro Neto (Chelsea), do Bernardo Silva (Manchester City), do Bruno Fernandes (Manchester United, tem dois times com Manchester no nome) e da “promessa anual” que é o João Félix (hoje no Al-Nassr, mas jogou muito no Chelsea). Só que, convenhamos, a seleção portuguesa é o Cristiano Ronaldo.
Para explicar o CR7, podemos traçar um paralelo com o Goku na saga do Manjin Boo em Dragon Ball Z: nesse ponto, o Goku estava morto e a ideia era de que uma nova geração de guerreiros, como Gohan, Goten e Trunks, assumisse a responsabilidade de defender a Terra. Da mesma forma, depois da Copa de 2022, muitos achavam que o ciclo do CR7 na seleção tinha acabado e que uma nova geração portuguesa tocaria o barco dali em diante. Só que essa geração não engatou. Tipo o Gohan, que perdeu mais tempo treinando com uma espada, e o Goten e o Trunks, que nem com a fusão deram conta do Boo, os jogadores mais novos ainda ficam batendo cabeça pra despontar de verdade a seleção entre as favoritas. E aí, cabe ao Goku de Portugal retornar mais outra vez e meter uma transformação em Super Sayajin 3 para tentar salvar o dia. O CR7 sabe que “lutar contra o Boo transformado” desgasta o corpo dele e que ele já deveria ter passado o bastão, mas aí olha pro lado e vê que, se não for ele, as coisas não vão dar certo.
Noruega: O Haaland é o Titã Encouraçado de Attack On Titan!
A Noruega é uma seleção que estava há muito tempo sem participar da Copa do Mundo e conseguiu retornar agora, após 28 anos. 99% da culpa disso é do centro-avante Erling Haaland, astro do Manchester City e astro da Premier League, liga principal da Inglaterra e basicamente o campeonato mais competitivo do planeta. O Haaland é um daqueles talentos tão grandes que são capazes de mover os rumos de uma nação inteira. E realmente moveu.
O cara é um loirão de quase dois metros de altura que parece um tanque em campo, é dificílimo passar por ele e ele passa com facilidade por cima de todo mundo. A analogia perfeita para ele é aquele Titã Encouraçado de Attack On Titan, que destrói a muralha com uma bicuda e a armadura é tão grossa que até a Mikasa tem dificuldade de penetrar.
Uruguai: O elenco é igual ao de Cavaleiros do Zodíaco, são muito conhecidos aqui no Brasil!
A seleção uruguaia é uma grande potência aqui da América do Sul. Junto com Argentina e Colômbia, são os que parecem ter maior chance de ir longe. Mas o que chama atenção de verdade nas conversas é o fato de vários jogadores nela serem bem conhecidos por aqui, pois jogam atualmente em times que disputam o Brasileirão. O goleiro Sergio Rochet está no Internacional, o Canobbio está no Fluminense, o Piquerez no Palmeiras, e o Flamengo entra com quatro jogadores: Varela, Viña, o Nico de la Cruz e o icônico Arrascaeta. Até eu que sou botafoguense adoro o Arrasca, então imagine o quanto esse cara é querido aqui no Rio de Janeiro.
Então, dá para pensar na seleção do Uruguai como o elenco de Os Cavaleiros do Zodíaco: todo mundo que acompanha ou que seja afetado, nem que seja um pouquinho, por futebol aqui do Brasil conhece eles, assim como é bem provável que qualquer um que tenha vivido os anos 1990 e 2000, ou que entenda um tiquinho do mundo otaku, saiba quem são Seiya, Shun, Hyoga, Shiryu, Ikki, Saori e etc.
Marrocos: O público aguarda o mesmo destino do protagonista de School Days…
A seleção marroquina teve o arco quase completo do herói de shounen durante a Copa de 2022: conseguiram ir até a semifinal e encantaram o planeta inteiro com a narrativa deliciosa de um país servindo de azarão que todos adoraram acompanhar. Só que essa percepção coletiva se inverteu recentemente. Durante a Copa Africana de Nações em janeiro, eles perderam o título para Senegal por 1 a 0 na prorrogação, num jogo que terminou em caos completo, briga com arbitragem, ameaça de abandono de campo e pênalti perdido com cavadinha do Brahim Díaz (Real Madrid). Meses depois, a Confederação Africana tirou o título de Senegal na justiça por conta do abandono de campo temporário dos jogadores e declarou Marrocos campeão, deixando um gosto bem ruim entre os fãs de futebol.
A história toda lembra o enredo de School Days e como a galera se surpreendeu e reagiu ao animê. O mundo inteiro se apaixonou pelas cenas dos jogadores comemorando com suas mães no campo, pela união do elenco e pela garra. Eles eram o Makoto no início da trama, aquele protagonista meio tímido, simpático, que você olha e pensa: “Poxa, que legal, torço para que ele consiga ficar com a Kotonoha”. Aí veio o sucesso e tudo mudou. Assim como o Makoto descobriu que tinha o poder de conquistar quem quisesse e deixou o ego subir totalmente à cabeça, Marrocos trocou de postura. Viraram o Makoto no meio do animê: começaram a agir como se as regras não se aplicassem a eles só por serem o centro das atenções. Agora, na Copa do Mundo de 2026, Marrocos chega com os holofotes virados para si, mas a energia do público mudou da água para o vinho. Ternura? A torcida agora, especialmente de outros países africanos, é para o Marrocos “perder a cabeça”. Uma virada de roteiro digna de um dos animês mais caóticos de todos os tempos.
Inglaterra: Harry Kane é o Endeavor de My Hero Academia e a seleção decidiu deixar o Midoriya e o Todoroki de fora!
“O futebol nasceu na Inglaterra!” dirá o seu amigo mais básico na mesa de bar em algum momento nas próximas semanas, aí logo depois ele mesmo cobrirá o rosto em vergonha ao ver a escalação esquisitíssima da seleção inglesa para essa Copa. Aqui entre nós: a Inglaterra tem hoje a Premier League, o campeonato nacional mais disputado do planeta. É de lá que despontam alguns dos maiores astros do país. Contudo, por alguma razão misteriosa, a seleção optou por deixar de fora nomes gigantescos como Phil Foden, do Manchester City, e Cole Palmer, do Chelsea, para centralizar suas forças na figura do capitão Harry Kane, do Bayern de Munique. A ironia nisso é que, enquanto os jovens Foden e Palmer empilharam taças nos últimos anos, Kane carrega o fardo de nunca ter conquistado um título sequer na carreira. Inclusive, quando ele deixou o Tottenham, seu clube desde a base, rumo à Alemanha, a piada era de que ele finalmente gritaria que é campeão, já que o Bayern dominava a liga há mais de uma década. Só que bastou ele chegar para tudo desandar. O Bayern perdeu a soberania para o Bayer Leverkusen e terminou a temporada de mãos vazias, carimbando de vez a fama de Kane como o maior pé-frio da Europa.
A maneira mais simples de contextualizar o nó tático da Inglaterra é olhar para o universo de My Hero Academia. Para a comissão técnica, Harry Kane parece ser o equivalente a um herói profissional como Endeavor. Ele carrega a grife, o respeito e o peso do nome. Já Phil Foden e Cole Palmer surgem como Midoriya e Todoroki, prodígios da nova geração cujos estilos trazem o frescor necessário ao jogo. Contudo, a liderança inglesa parece preferir o conservadorismo e abraça a tradição, ainda que ela não venha rendendo frutos. Em vez de dar passe livre para que esses jovens talentos avancem com força total, a comissão insiste em uma estratégia engessada para ver o veterano brilhar, transformando o que deveria ser uma missão simples em um sufoco desnecessário. E nós vimos como a “gestão Endeavor” complicou bastante as coisas mais para o fim do animê.
Estados Unidos: Que nem em Claymore, quem manda bem de verdade são as minas!
A seleção dos Estados Unidos está lá na Copa do Mundo de 2026, é uma das anfitriãs ao lado de México e Canadá, mas sejamos honestos: na terra do “soccer”, o futebol de verdade é feito pelas minas. A dinâmica ali reflete o animê Claymore: são as mulheres que vêm com o poder bruto e enfrentam as batalhas mais sangrentas na linha de frente, enquanto os homens ficam nos bastidores, sendo coadjuvantes incômodos na história.
Se a FIFA permitisse uma gambiarra nas regras e os EUA enviassem a sua seleção feminina, que são as atuais medalhistas de ouro olímpicas e donas de quatro Copas do Mundo, no lugar dos pangarés, o país teria chances reais de levantar a taça. Elas são as maiorais que botam o resto do planeta para patinar e impõem respeito global. Já a versão masculina é só aquele vizinho rico e mimado que não joga nada, mas como o campeonato é no quintal da casa dele e a bola é dele, todo mundo é obrigado a convidar para a festa.
Egito: Magia e Músculos de Mohamed Salah!
Ninguém espera que o Egito seja o bicho-papão da Copa ou que vá desfilar um futebol refinado, mas eles têm uma carta na manga: um semideus do futebol inglês chamado Mohamed Salah. O cara é tão gigante que extrapolou as quatro linhas do Liverpool para virar um verdadeiro ícone cultural. Por anos, ele foi a referência absoluta nas barbearias, com toda uma geração de garotos de cabelo crespo mostrando a foto do seu black power pro barbeiro. E não para por aí não, o maluco é tão bizarramente trincado que virou meta de shape nas academias, com a galera implorando pro personal trainer para chegar naquele abdômen esculpido em mármore pelas próprias dinastias egípcias.
Se o Egito fosse um animê, eles seriam Mashle: Magia e Músculos. No papel, a seleção não tem nenhuma magia ou genialidade tática, sendo um time bem comum. É aí que o Salah entra na equação igualzinho ao protagonista Mash na escola de bruxos. Ele não tem poderes mágicos, mas compensa tudo com uma força física assombrosa e músculos que dobram a realidade. A tática do Egito é basicamente dar a bola pro Salah e deixar ele quebrar as odds na base da ignorância física. Enquanto os adversários tentam ditar o ritmo com feitiços e tabelas bonitas, o Egito avança destruindo as seleções mágicas na porrada, cortesia do seu protagonista saradão.
E o Brasil?
Parece uma piada, tipo Gintama. A seleção montada pelo técnico Carlo Ancelotti… conta mais do que deveria com nomes do passado que não foram longe antes. Alisson (Liverpool), Weverton (Grêmio) e Ederson (Fenerbahçe) batendo ponto no gol mais uma vez. Na linha, Danilo, que é banco do Flamengo, enquanto Léo Ortiz, zagueiro titular do clube, ficou de escanteio. Temos ainda um Casemiro (Manchester United) que já não desperta o interesse de ninguém na Europa e a insistência no Neymar (Santos), que mal jogou desde que voltou ao Brasileirão, vive contundido e passou os últimos anos sem vestir a camisa amarela. Enquanto isso, nomes de peso e que estão voando na Premier League, como Igor Jesus (Nottingham Forest), João Pedro e Andrey Santos (ambos no Chelsea), assistem a tudo de fora. É um apego cego a um passado idealizado que, hoje em dia, beira ao cômico.
É o suco de Gintama. A trama se passa em um Japão feudal alternativo e moderno que foi invadido por alienígenas, onde os samurais foram proibidos de usar espadas. Nesse caos, acompanhamos o protagonista Gintoki Sakata. No passado, ele foi um guerreiro lendário e temido, exatamente como a Seleção Brasileira antes daquele 7 a 1, mas hoje está falido, preguiçoso, vive de bicos e não tem dinheiro sequer para pagar o aluguel. Ele e seus amigos se metem nas missões mais estúpidas e bizarras possíveis, transformando a antes imponente lenda dos samurais em um completo deboche. Mas há uma ponta de esperança para o Brasil nessa comparação: em Gintama, quando a água bate na bunda e a ameaça fica séria, os personagens ativam o modo sério, relembram o sangue de samurai que corre nas veias e driblam os inimigos com uma genialidade e um jogo de cintura que ninguém consegue prever. Vai que um milagre assim acontece…
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