Crítica | Versus: Mais uma aventura absurda de ONE | Volume 1 | JBC

Crítica | Versus: Mais uma aventura absurda de ONE | Volume 1 | JBC

ONE, a mente por trás de One-Punch Man e Mob Psycho 100, a esse ponto já é bastante reconhecido na indústria de animês e mangás pela alta criatividade de suas histórias, além de sua comédia característica. E isso não é diferente em Versus, obra do autor em parceria com Kyoutarou Azuma.

Versus começou a ser publicado em 2022 no Japão, sendo uma das empreitadas mais recentes de ONE no mundo dos mangás. Na história, para combater os 47 lordes demônio que estão ameaçando a humanidade, são reunidos os 47 guerreiros mais fortes do mundo para atuarem como heróis da humanidade, cada um acompanhado de um grupo. No entanto, rapidamente os humanos percebem que as coisas não estão nada niveladas para o lado deles.

imagem: página do mangá 'Versus' onde o protagonista Hallow segura uma espada quebrada. Enquanto isso, o narrador diz "Inimigo natural. Na natureza, o termo se refere a um inimigo absoluto. Como os pássaros para os insetos e como as cobras para os sapos. Como [palavra censurada] para a humanidade".

Reprodução: JBC

A primeira coisa que notamos durante as páginas iniciais do mangá é que a comédia típica das histórias de ONE não surge tão nitidamente. Existem pequenos momentos de tentativa de humor, com Hallow, protagonista da história, tremendo de medo com a ideia de partir para a jornada contra os demônios, mesmo que seus companheiros heróis estejam confiantes com a jornada. No entanto, ao sair das páginas iniciais, notamos que, na verdade, o clima da história aparenta ser bem mais tenso. Até mesmo trágico.

Acompanhamos Hallow tendo que se agarrar aos resquícios de determinação que lhe restam para conseguir se manter de cabeça erguida enquanto escuta notícias sobre seus camaradas que morreram ou desaparecem em questão de poucos meses de campanha contra os inimigos. A narrativa, inclusive, rapidamente parece querer concluir a própria aventura de Hallow, chegando ainda no primeiro capítulo ao que poderia ser o clímax da história do herói.

É após esse suposto clímax que a pontinha de criatividade de ONE começa a emergir. Após Hallow milagrosamente sobreviver ao encontro com um dos lordes demônios, ele reencontra seu irmão, Zeibi, um mago. Ele revela para Hallow que está em uma missão secreta, atrás de outra solução para enfrentar os demônios além dos heróis escolhidos: junto a outros magos, usar seus poderes para invocar ajuda de outro mundo. E o plano, que estava prestes a ser concluído, dá certo. Durante um momento crítico, os irmãos são salvos por um grupo usando armas e armaduras que eles nunca viram antes, saídas diretamente de uma história de ficção científica.

No entanto, rapidamente percebemos que as coisas não são tão simples. Não só as dimensões se mesclaram, como também o grupo que chegou desse outro lugar também tentou “invocar” os humanos de outro mundo para conseguir ajuda contra a própria ameaça, robôs de alta inteligência que estão ameaçando a humanidade. A partir daí começa um grande conflito envolvendo humanos, demônios, robôs e outros vários sujeitos.

Reprodução: JBC

Kyoutarou Azuma faz jus à sua reputação como ilustrador de Tenkaichi e de mangás de The King of Fighters nas cenas de ação, ilustrando batalhas de forma excelente, principalmente nas cenas envolvendo Hallow, trazendo um dinamismo para o manejo de espada do personagem. A diversidade da arte de Azuma não fica atrás, por exemplo, do próprio Yusuke Murata em sua versão de One-Punch Man, conseguindo retratar bem a mistura entre criaturas e cenários de dimensões diferentes, fazendo tudo funcionar como uma só coisa.

É exatamente a partir da mescla entre mundos que vemos a criatividade da história aflorar. Particularmente, a ideia de humanos de outras dimensões ajudarem uns aos outros para vencer seus próprios desafios não aparenta ser o bastante para resolver os conflitos que a narrativa propõe e ONE sabe bem disso. Por volta da metade do primeiro volume, pistas de como os humanos vão lutar para resolver seus conflitos começam a surgir, algo que vemos ser traçado melhor no final do encadernado. A reta final é dedicada a uma grande reunião onde somos apresentados aos grupos envolvidos na situação caótica e também ao plano para resolver o conflito que pode derrotar os inimigos naturais da humanidade: fazer eles enfrentarem uns aos outros.

Essa ideia é colocada em prática pela primeira vez apenas de forma acidental, mas, com a diversidade de inimigos apresentados, é algo que promete ser bastante interessante de se acompanhar o desenrolar nos volumes seguintes, já que a obra propõe até mesmo conflitos contra conceitos mais abstratos, como entidades conhecidas apenas como o Jogo e o Divino. As interações entre humanos que passaram por várias situações diferentes também se revela promissora, ainda mais que foi justamente durante uma parte da grande reunião que a comédia de ONE mais se destacou, mesmo com toda a tensão envolvendo o conflito entre humanos e seus inimigos naturais.

No entanto, a variedade de coisas que são introduzidas ao mesmo tempo deixa a impressão de que a obra pode acabar se tornando algo cansativo. A reviravolta no primeiro volume também torna necessário que sejam feitas duas introduções diferentes para o universo da obra, o que sabota um tanto do aproveitamento geral, assim como a reunião entre os humanos também tem seus momentos que pesam demais na exposição de informações. Não termos uma execução mais concreta da proposta de fazer inimigos enfrentarem uns aos outros neste início é algo que, apesar de instigar a curiosidade para o futuro, também faz perdurar a dúvida se o caos que a história apresenta vai acabar sendo um ponto positivo ou negativo.

Felizmente, a mente por trás da obra reforça a segurança que a peteca não vai cair facilmente. Isso é ainda mais reforçado quando temos One-Punch Man como exemplo, que é justamente um tipo de obra que tem tudo para cansar rápido, mas ONE provou que pode continuar expandindo o conceito de formas divertidas. O que resta é acreditar que a genialidade do autor vai se sobressair mais uma vez.

 

Galeria de fotos

Confira no álbum abaixo alguns registros da edição nacional do 1º volume de Versus pela Editora JBC:

 

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Essa resenha foi feita com base na edição cedida como material de divulgação para a imprensa pela editora JBC, que disponibilizou o 1º volume ao JBox.


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