
Das séries de videogames japonesas, Resident Evil é uma das que mais ganhou adaptações para o audiovisual norte-americano. Foram 6 filmes de sucesso estrelados por Milla Jovovich entre 2002 a 2017, seguidos de um reboot em 2021 e uma série de TV em 2022 (esses dois últimos, sem o mesmo êxito dos projetos anteriores).
Agora, em 2026, a Sony Pictures e a PlayStation Productions investem em uma nova tentativa de renovar a franquia nas telonas. Dessa vez, foi dado o comando da obra a Zach Cregger, diretor que ganhou renome nos últimos anos ao dirigir dois terrores bastante elogiados: Noites Brutais (2022) e A Hora do Mal (2025), filme que venceu um Oscar este ano.
No novo longa, esqueça Alice e outros personagens icônicos dos games, pois aqui somos apresentados a Bryan (Austin Abrams), um entregador de produtos médicos que está passando por um momento complicado. Sua próxima entrega parece uma tarefa simples: dirigir até o hospital geral de Raccon City e entregar um importante pacote. Só que o caminho se torna um pesadelo graças a uma forte tempestade de neve e ao surgimento inesperado de criaturas mortas-vivas.

Imagem: Reprodução/Sony
Assim como em seus outros filmes, Cregger desenvolve um terror com toques cômicos (ele trabalhava com comédia antes de migrar para o horror), sempre com muita maestria. O diretor nunca deixa seu longa cair na galhofa e, embora tire algumas risadas, controla bem a câmera para realçar o pavor quando necessário. Desse modo, sustos e tensão são elementos que se destacam durante a uma hora e meia de exibição.
O que se vê aqui é uma nova forma de trabalhar Resident Evil no cinema, fugindo bastante da ideia mais voltada à ação dos longas de Paul W. S. Anderson. O foco é justamente o survival horror que tornou a série de games tão famosa de modo que nenhum monstro aqui é um simples “extra” a ser morto facilmente: todos são ameaças reais para os personagens.
Graças a essa inspiração, vemos cenas em que o protagonista conta o número de balas de sua arma, nas quais ele encontra obstáculos intransponÃveis ou trechos com a câmera em “primeira pessoa”. É a lógica do game survival horror sendo passada para a tela e que funciona justamente pela direção e o roteiro saberem como encaixar tudo aquilo sem parecer forçado ou inverosÃmil.
Imagem: Reprodução/Sony
Trata-se de algo que também se reflete em Bryan, o protagonista dessa história, que é pensado justamente como um “avatar” do que seria o jogador do videogame, realizando ações bobas e cometendo erros razoáveis para um player iniciante. Isso não quer dizer que não há uma tentativa do filme em aprofundar o personagem, que tem suas próprias questões a serem resolvidas graças a uma recente notÃcia dada a ele por sua namorada. Felizmente, essa subtrama de Bryan nunca é aprofundada, o que faria com que o filme caÃsse em um drama sem graça.
O que nos faz afeiçoar a Bryan é a ótima atuação de Austin Abrams no papel do entregador. O ator tem uma espécie de timing cômico que funciona bem nas cenas mais “divertidas”, ao mesmo tempo em que consegue equilibrar isso com todo o horror e medo pelo qual seu personagem está passando.
Destaca-se também aqui a ótima trilha sonora dos irmãos Ryan e Hays Holladay, que conseguem construir ritmos essenciais para reforçar a tensão de cada cena e trazer certa identidade para o longa.
Imagem: Reprodução/Sony
Entretanto, por melhor que o novo Resident Evil seja, ele muito provavelmente não agradará todos os fãs. Isso porque, fora o fato do longa se passar em Raccon City e uma breve citação à Umbrella, nenhum outro detalhe da mitologia dos games é transpassado para a tela. Nem mesmo o termo t-Virus chega a ser citado. As referências aos games aqui são muito mais visuais, estão relacionadas ao “clima” do filme.
Desse modo, Resident Evil é um terror eficiente e que deve agradar um público geral, mas que traz muito pouco da história da franquia para as telas. O futuro pode introduzir personagens como Claire e Leon para esse universo, mas no momento o foco de Clegger e da Sony é outro.
Essa crÃtica foi feita de forma totalmente independente, em uma exibição comum de cinema, sem envolvimento de cabine de imprensa. Resident Evil estreou nos cinemas brasileiros no último dia 17 de setembro.
O texto presente nesta resenha é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.
from JBox https://ift.tt/toE7JPe
via CineLive365
Post a Comment